Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #27: Timing

“É apenas
uma questão
de timing,

sugere, risonho
e debochado
o cronômetro,

que corre.”

O poema acima é de Rodrigo Carneiro e tem tudo a ver com a coluna de hoje: é uma questão de timing.

Faz dois dias que a rodada do final de semana acabou e todas as análises possíveis já foram feitas, então é quase que inútil escrever sobre a vitória de 1×2 do Galo contra a Tombense no domingo. Mas quero fazer reclamações, como sempre.

A primeira e a mais comentada é sobre o horário da partida. Pô, 11 da manhã num domingo? Acordar cedo só para acompanhar um jogo é muita sacanagem.

A segunda e última é sobre a utilização do Edenílson na lateral. Tudo bem que o estadual é um campeonato propício para testes, mas começar com “pardalismo” também não dá. Espero que o Coudet saiba o que está fazendo.

Enquanto isso, vamos comemorando a boa sequência de início de temporada e idolatrar ainda mais o Hulk. O cara é muito diferenciado: dos quatro gols do Galo no ano, ele marcou três e deu o passe para o outro. Seu tamanho na história do clube só aumenta a cada partida.

E para não deixar passar, também comemorei o empate do Democrata fora de casa contra a Caldense, um time sempre chato de enfrentar, ainda mais jogando em seu estádio. Tudo bem que a vitória escapou pelos dedos no finalzinho do jogo, mas levar um ponto de lá é muito bem-vindo.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #26: Mudanças

A nova temporada do futebol brasileiro começou, sinônimo de times reforçados, mudanças nos elencos e o início para a dor de cabeça que nós, torcedores, passamos.

Também será tempo de mudanças por aqui, pois farei do Não Ao Futebol Moderno uma coluna semanal, com foco nos jogos do Atlético-MG. Sempre com a corneta ativa, óbvio.

Nesse último jogo, a vitória de 2×1 sobre a Caldense no último sábado, mesmo sendo o primeiro jogo do ano, ainda assim passei raiva e cornetei muito o time do Atlético, que mantém a sina dos gols perdidos e a necessidade dos pênaltis para conseguir uma singela vitória. Apesar disso, confio no trabalho do Coudet e acho que ele vai fazer esse time engrenar. E se esse atual elenco pegar no tranco, tenho confiança de que boas conquistas virão nessa temporada de 2023.

Para não deixar passar, meu Democrata (o maior, o de Valadares) conseguiu uma vitória sobre o outro Democrata (o de Sete Lagoas) com um gol no finalzinho, quase no último minuto. No estádio, mais um show da torcida mais fanática do interior de Minas Gerais. Se tudo der certo, estarei lá no dia 04/03, na última rodada do Campeonato Mineiro, para ver Demo x Galo.

Direto do Forno · Música

Mais um Retorno dos Satan’s Pilgrims

Os peregrinos de Satã somem, voltam com um disco novo, desaparecem mais uma vez, e assim vai. Dessa vez, reapareceram com Go Action​!​!, novo disco do grupo que completou TRINTA anos de estrada em 2022. Esse é o primeiro lançamento do selo fundado pela banda, o Hi-Tide Recordings.

Go Action!! também é uma forma de homenagear Dave Busacker, membro fundador da banda, que faleceu ano passado de causas naturais.

São quatorze petardos, o suprassumo do surf rock instrumental, com riffs dançantes, velozes e agressivos.

E para completar o ano, os Satan’s Pilgrims também soltaram um compacto pela Get Hip Records, Bayonet Constitution​/​Typhoon, com mais duas canções originais, seguindo a mesma linha que faz dessa banda uma das, se não a melhor representante desse estilo tão gostoso de ouvir.

Garimpo · Música

Três Pérolas da midsummer madness

Estava limpando meus cd’s um dia desses e achei um achado perdido na coleção: o Tributo ao Second Come, lançado pelo selo midsummer madness, em 2012. Feito como forma de homenagear o vocalista da banda carioca, Fábio L., falecido em 2009, o tributo conta com vinte e nove versões feitas pelos mais variados artistas, um trabalho que faz jus à qualidade do Second Come.

Não ouço esse disco completo faz uns bons anos, tanto que acabei esquecendo de algumas músicas que eu gosto bastante e ouvia com frequência, quando meu carro tinha um toca-cd’s.

Uma delas é “The Shower”, cuja versão foi feita pela extinta The Oort Clouds, banda do ex-baixista do Second Come, Francisco Kraus. Digo extinta porque não encontrei informação alguma sobre esse projeto na internet e nas redes sociais. Essa versão, para mim, superou a original, presente no clássico disco homônimo, de 1993. Até no Youtube é difícil encontrar essa versão, mas no Bandcamp e no site da midsummer madness, ela está disponível gratuitamente.

“She Could Melt The Sun” está no segundo disco do Second Come, Superkids, Superdrugs, Supergod and Strangers, lançado em 1994, e a sua versão no disco-tributo também foi feita por um projeto que já não existe mais, o han(S)olo, direto das Minas Gerais, por Leandro F. Rosa, que tocava todos os instrumentos. Para mim, ficou ainda melhor do que a original. Postei um comentário no vídeo abaixo, perguntando se a banda ainda está na ativa, mas não obtive resposta, e imagino que não obterei.

Outra bela coletânea da midsummer madness é a 30 em 3, lançada ano passado em comemoração dos trinta anos do selo. São SETENTA E NOVE músicas de artistas diferentes que passaram pelo catálogo durante todo esse tempo. Dá para conhecer bem a história dessa que é uma das mais importantes gravadoras independentes do Brasil. Uma dessas várias canções me pegou em cheio e, infelizmente, também é de um projeto que parece ter acabado. Ouça abaixo “Fight To Forget”, da Iorigun.

Se você é um aficionado por guitarras altas, barulho, canções tortas e feitas com o coração e na raça, recomendo ouvir as duas coletâneas e garimpar o máximo no catálogo da midsummer madness. O Rodrigo Lariú disponibiliza tudo de graça, seja no Bandcamp ou no site oficial do selo.

Garimpo · Música

BEHEMOTH – OPVS CONTRA CVLTVRAM (Ao Vivo no Topo do Palácio da Cultura)

Não sou um grande fã de metal extremo. São poucas as bandas que, quando ouço, conseguem criar um clima que não seja incômodo. Uma delas é o Behemoth, banda polonesa que possui músicas bem construídas e com um visual agregador ao som.

Em setembro deste ano, o conjunto fez uma apresentação impecável no topo do Palácio da Cultura de Varsóvia. Com áudio e vídeo de altíssimo nível e com uma teatralidade impressionante, esse show foi para a divulgação do então novo disco do grupo, Opvs Contra Natvram.

Imagine que você está numa avenida na capital polonesa, voltando do trabalho, aquele trânsito caótico, ouve um barulho acima de sua cabeça e quando olha para o alto, é o Behemoth, quase jorrando sangue dos céus de Varsóvia. Um deleite audiovisual.

Direto do Forno · Música

Iggy Pop – Frenzy/Strung Out Johnny (Singles)

Escrevi mais cedo sobre o Chino Moreno e artistas que envelheceram bem, e acabei esquecendo de um dos maiores: Iggy Pop. O cara vem de dois ótimos discos em sequência, Post Pop Depression (2016) e Free (2019) e, ao que parece, o próximo será do mesmo jeito.

Every Loser está previsto para sair do forno já no início de 2023, em 6 de janeiro, e sua gravação contou com um time de peso: do deus da guitarra Dave Navarro, passando por Chad Smith, Stone Gossard, entre outras estrelas.

Duas músicas desse trabalho foram lançadas para anunciá-lo, “Frenzy” e “Strung Out Johnny”, sendo a segunda, uma das melhores de toda a sua carreira solo, sem exagero. Enquanto a primeira possui uma pegada punk mais moderna, “Strung Out Johnny” é de uma levada pós-punk de alto nível, mostrando que Iggy se mantém relevante no cenário atual e em boa forma para continuar fazendo ótimas músicas.

Direto do Forno · Música

O Novo do Crosses: PERMANENT.RADIANT

Ouvi o novo EP do Crosses e afirmo: Chino Moreno está no panteão daquilo que chamo de artistas feito vinho, como Nick Cave, Trent Reznor, Greg Dulli, David Bowie, etc, cujos trabalhos foram melhorando à medida em que foram envelhecendo. Bowie, por exemplo, lançou seu melhor álbum poucos dias antes de sua morte.

Seja no Deftones, no Crosses, no Saudade, até mesmo no Team Sleep (que considero moderno para a época que foi lançado), Chino tem amadurecido seu som e suas referências, lançando discos excelentes e se superando cada vez mais.

Nesse novo trabalho com o Crosses, projeto em parceria com Shaun Lopez, é possível ouvir uma salada entre trip hop, música eletrônica, industrial e até as guitarras pesadas do Deftones, tudo isso com a melancolia característica de sua voz. Até mesmo na quarta faixa “Day One”, que possui uma levada meio havaiana/praieira, a tristeza está presente.

PERMANENT.RADIANT possui seis faixas, sendo que três delas ganharam videoclipes. Veja abaixo.

Garimpo · Música

Música Fora do Eixo

No âmbito musical, uma das minhas melhores descobertas foi o selo alemão Habibi Funk Records, especializado em lançamentos de discos perdidos do oriente médio.

O vídeo mais recente deles é a prova do que estou falando: uma seleção de quase onze minutos com trechos de diversas fitas cassete do Líbano, entre os anos setenta e oitenta. Tem de tudo, de música popular libanesa até dance music. Um pequeno texto na descrição explica o contexto dessas canções e como era difícil lançá-las, já que o país passava por uma guerra civil. O resgate desses materiais é de uma riqueza cultural sem tamanho.

Para quem gosta de garimpar sons novos, saindo um pouco do eixo Europa-Américas (quando digo Américas, digo todas elas), o catálogo da Habibi Funk Records é um prato cheio. Confira abaixo, e se gostar, entre na página do Bandcamp do selo e aproveite.

Direto do Forno · Garimpo · Música

METZ & Mission of Burma – Good, Not Great/Get Off (Single)

Lançado originalmente em 2016, apenas em formato físico para o Record Store Day, o compacto Good, Not Great/Get Off foi uma parceria entre os canadenses do METZ e a Mission of Burma, banda estadunidense de pós-punk, onde uma fez um cover da outra.

O METZ gravou “Good, Not Great”, canção do disco The Obliterati, lançado pelo Mission of Burma em 2006, enquanto os parceiros fizeram um cover de “Get Off”, música do primeiro álbum do conjunto canadense.

Ontem, finalmente, a Sub Pop disponibilizou as duas versões em formato digital. Ouça abaixo, vale muito a pena.

Direto do Forno · Música

Makalister – Mais Que Lágrimas/Quartos Escuros (Single)

Poucos álbuns conversam tanto comigo quanto o Mal dos Trópikos, o primeiro trabalho cheio do Makalister, lançado em 2018. Já perdi até as contas de quantas vezes esse disco salvou a minha vida.

Por conta disso, sempre busco acompanhar o máximo dos lançamentos do rapper catarinense, mesmo que tenha falhado em prestar mais atenção nas suas últimas mixtapes (Extravagância e Perfume, o Barka e a série ONDAS). Porque fico na errônea expectativa de que eles funcionem como o Mal dos Trópikos, o que é injusto com o próprio artista, pois é nítido o seu amadurecimento quanto composição de letras e beats.

Dito isso, seus singles mais recentes, “Mais Que Lágrimas” e “Quartos Escuros”, causaram em mim um pouco da sensação daquelas canções que falam direto com o meu íntimo, só que com um pouco mais de otimismo perante à vida, às questões que me cercam e um certo legado que pretendo ter quando partir daqui, sendo também um artista independente. Me senti confortado, principalmente em “Mais Que Lágrimas”.

Makalister não faz nem ideia de que, mesmo sem me conhecer, ele tem sido um dos meus melhores amigos há anos.

“Longe de mim
Vou deixar mais que lágrimas
É a virtude do poeta.”