Assessoria Musical · Música · Textos

Assessoria Musical #11: Em Memória

Logo após traduzir o artigo sobre vida e morte de David Stroughter, ex-vocalista do Majesty Crush, não imaginava que meu próximo texto seria novamente sobre o mesmo tema. Mas, infelizmente, fui pego de surpresa com a morte de dois artistas fundamentais da história da música: Dolores O’Riordan, ex-vocalista dos Cranberries, e “Fast” Eddie Clarke, ex-guitarrista da formação clássica do Mötorhead.

A primeira, dona de uma das vozes mais icônicas dos anos 90, ainda não teve a causa de sua morte revelada.

O segundo, que agora poderá reencontrar seus antigos parceiros Lemmy Kilmister e Phil “Philthy Animal” Taylor, sucumbiu após uma pneumonia.

Os últimos anos têm sido trágicos no que diz respeito à perda de lendas da música, e 2018 já começou com essas baixas terríveis.

Finalizo o texto com uma preocupação que não sai de minha cabeça: a “reposição” não está sendo a altura.

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Música · Traduções

David Stroughter, 1966-1970: Uma Lembrança

(Tradução que eu fiz do artigo “David Stroughter, 1966-1970: A Remembrance”, escrito por Hobey Echlin e publicado originalmente no MetroTimes, de Detroit, em 6 de fevereiro de 2017. Link aqui.)

PHOTO COURTESY JACK NELSON

Conheci David Stroughter em 1988. Eu estava na banda Spahn Ranch e Dave era amigo do nosso baterista, Odell Nails. Dave veio para cantar uma faixa incomum de dance em que tivemos a idéia de usar uma bateria eletrônica e sintetizadores. “O que você faria se dois leões me atacassem, me rasgando com suas garras?”, ele cantava. Eu estava no chão. Ele soava como Marvin Gaye em “I Want You”, elevando nossa canção post-punk da arte danificada ao romance e martírio em uma mesma linha.

Aqui estava este rapaz criado entre Southfield (subúrbio de Detroit) e a Alemanha, de onde era sua mãe. Ele era o epítome de um enigma post-punk de Detroit do final dos anos 80, um iconoclasta multicultural que cresceu com os sobrinhos e tios da realeza da Motown, que poderia ser ouvido conversando com o Einstürzende Neubaten num alemão fluente no andar de cima da sala Burns, no St. Andrew’s Hall, depois de um show.

Viramos colegas de quarto em Hamtramck (cidade americana localizada no estado de Michigan), onde ele me introduziu às maravilhas do A.R. Kane e Xmal Deutschland, bandas cuja beleza “pegou” as brilhantes canções de ninar do Cocteau Twins e as atirou por uma linha perfeitamente negra, vagamente sinistra, certamente azulada (no caso, uma referência ao blues). Também ouvíamos – e rimos muito sobre – N.W.A. Dave amava os personagens. Para ele, eles eram quase shakespearianos. “Eu os conheço todos e, ao mesmo tempo, mantenho a gema de sua ociosidade”, como o Príncipe Hal diz em Henrique V, parte 1 (peça teatral escrita por Shakespeare).

PHOTO COURTESY JACK NELSON

Depois que os membros do Spahn Ranch tomaram seus caminhos em separado, Dave e Odell formaram o Majesty Crush com Michael Segal, o cínico balconista da loja de discos que havia vendido a Dave os discos do A.R. Kane anos antes. Eu quebrei um galho como baixista. A gente se reunia no porão da casa de Dave em Indian Village (histórico bairro situado na região leste de Detroit). Nossos corações estavam no lugar certo, mesmo que os dedos, em sua maior parte, não estivessem. Tornaríamos-nos, supostamente, algo como o Velvet Underground ou, em minha parte, uma linha de baixo meia-boca do James Jamerson com uma mistureba de Joy Division (culpado pelo baixo, como fora acusado), Can e Motown. Nossa música era simples e espacial, mas as letras e o cantar de Dave eram profundos e sombrios. Era o Marvin Gaye cantando Syd Barrett, cheio de saudade, luxúria e auto-depreciação. Dave era o nosso mistério inocente, completamente inspirado, saudosamente efêmero, perfeitamente visceral, completamente formado. Ele era nossa faísca criativa, nosso presente de fogo.

Mas a estrela que brilha duas vezes mais forte, dura pela metade, parafraseando as palavras de Dr. Tyrell sobre Roy Batty de Blade Runner, porque, realmente, enquanto eu processo o falecimento de Dave e a década que levou a sua súbita e trágica morte, eu preciso de outro herói condenado para me referir.

Entender Dave como pessoa era entender uma vida de oportunidade limitada, oprimida por uma perda profunda. Seu primo foi assassinado durante um assalto a um caixa eletrônico quando morávamos em Hamtramck, levando sua amada tia Otti a voltar para a Alemanha. Mais tarde, o próprio Dave passou um final de semana preso depois de ser falsamente acusado por um assalto armado, simplesmente em virtude de ser um negro de pele clara com um espaço entre seus dentes. Isso não o enrijeceu; isso o inspirou. Na semana seguinte, escrevemos nossa canção mais alegre, “Penny For Love”.

PHOTO COURTESY JACK NELSON

Mesmo que o Majesty Crush tenha se tornado uma anomalia na era do Grunge e do Rock Alternativo na cena de Detroit, com esses shoegazers multiculturais tocando um gótico-amigável, girando num pop sombrio, Dave estava encontrando sua voz e cantando o seu blues. “Psycho-blues”, como ele rabiscou uma vez em uma folha de papel, com sua escrita rasurada, onde as letras se inclinavam e derrubavam umas sobre as outras. Ele cantava sobre cross-dressing (ato de vestir-se com roupas ou acessórios do sexo oposto), lojas de livros adultos e prostituição em melodias desfalecidas e harmonias em falsete. Mas elas falavam para um estranho e vago prazer que, depois de alguns drinques, pareciam uma epifania, como o flash de nossa secretária eletrônica (isso em 1992, lembre-se) avisando que você tinha uma mensagem quando chegou em casa depois do bar – mesmo que você tivesse checado se havia alguma mensagem duas horas antes.

Dave era um personagem, com certeza. Ele poderia se apresentar com uma roupa de mergulho, ser a vida (e, às vezes, a morte) depois da festa, e até acordar com uma companhia amorosa ou por cima de um lixeiro em Eastern Market (histórico distrito comercial de Detroit). Seus demônios eram reais, mesmo que, lá atrás, eles parecessem cartunescos, e até divertidos. Apesar de sua natureza mercurial, Dave sempre obteve êxito. Ele comprou uma casa em Hamtramck; Preston Long, do Mule, morava no andar de cima. Nós fizemos discos, excursionamos e compartilhamos aqueles momentos idiotas que toda banda tem, viajando pela primeira vez para outra cidade, mesmo que isso significasse ter tocado para a banda de abertura e seus amigos da loja de discos. Uma noite, tocamos no State Theater como parte do clube X da rádio 89X’s. Minha mãe veio nos assistir. Nos bastidores, Dave acendeu um baseado. “O que? Sua mãe sabe que eu fumo”, ele insistiu. Ele estava certo. Conhecê-lo era aceitá-lo.

Mesmo que o Majesty Crush estivesse à margem da cultura independente, nós vivíamos a sua esperança, bem como o seu cinismo. Quando fomos tocar em Nova York pela primeira vez durante o CMJ (festival de música e cinema), dirigindo por St. Market’s Place até o apartamento de nosso amigo em Bowery, Darcy, do The Smashing Pumpkins, atravessou sem olhar bem em frente nossa van. Representando o centro oeste! Naquela noite, bem depois que todos nós já havíamos entrado, Dave cambaleou depois de ver o Verve (eram dias “pré-The Verve) naquilo que hoje chamaríamos de pop up venue (avenida marcada por lojas temporárias). Ele teria compartilhado um pouco de Xerez (vinho típico da Espanha) com Richard Ashcroft. Como eles eram, Dave? “Rod Stewart se encontra com… Deus.” Amém.

PHOTO COURTESY JACK NELSON

No entanto, assim que nosso disco foi lançado, a nossa gravadora, uma subsidiária da Elektra, faliu. Nós fizemos o melhor, escrevendo e gravando um material mais agressivo, mas seguiríamos nosso caminho. Ficou marcado como um daqueles vários, vários momentos típicos do Spinal Tap (banda fictícia criada para um filme, lançado em 1984) que toda banda tem. Dave pegou a guitarra e fez alguns registros sob a alcunha de P.S. I Love You, escrevendo o epitáfio perfeito pós-shoegaze “Where The Fuck Is Kevin Shields?”, que achou o seu caminho até a lenda do rádio britânico John Peel, que compartilhou o sentimento ao vestir uma camiseta da gravadora perguntando a mesma coisa. Dave se mudou para Los Angeles, e era notavelmente resiliente com recursos bem limitados e um mercado musical inconstante. Ele se manteve vendendo carros de luxo usados que ele comprava em audições, enquanto encontrava seu colaborador mais consistente, Jonathan Wald, um verdadeiro Detroiter (natural de Detroit) cuja paciência trouxe uma generosidade emocional em Dave e que inspirou canções e cura após o falecimento da mãe de Wald alguns anos atrás. Apesar de estar baseado em L.A., Dave se tornou um “amigo-correspondente” da elite do shoegaze britânico, postando em fóruns e se irritando enquanto encantava-se com eles, principalmente com o baixista do Spacemen 3 e do Spiritualized, Will Carruthers, que acabou viajando até L.A. para gravar o álbum do P.S. I Love You. Entretanto, cada vez mais sua impaciência o fez seu próprio inimigo. Sua saúde mental não era tanto um problema quanto uma compreensão; há muito ele havia se tornado “Stroughter”, o protagonista maior-do-que-a-vida de histórias cada vez menos engraçadas. Ele possuía um olhar mais selvagem nas vezes que passamos juntos em L.A., mas eu coloquei a culpa daquilo na década de distância da insular reafirmação em Detroit. Ainda, éramos uma família. Ele pode ter aparecido em um Mustang conversível barulhento, mas fez questão de mostrar que havia espaço o suficiente para a cadeirinha do meu filho. Poderíamos não estar em contato sempre, mas eu sempre me senti próximo.

PHOTO COURTESY JACK NELSON

Quando Odell compartilhou a notícia do falecimento de Dave, ficamos os dois atordoados. Sabíamos que Dave estava fazendo suas coisas, pareceu para nós, com poucos retornos. Mas sempre compartilhamos a crença de que, não importasse a distância, ele estaria bem. Tempo depois que nos revertemos a vidas mais convencionais, Dave ainda estava lá fora, morando entre casas de hóspedes em Hollywood Hills (bairro nobre de Los Angeles) e no Morrison Hotel, fazendo seja lá o que for para trabalhar, trabalhar, em seus termos, pegando o bom com o ruim.

Por isso que mitificar ele ou sua morte é fazer um grande desserviço ao legado de David Stroughter como um artista ou visionário. Claro, há os fatores de seu falecimento que permanecem distantes, como “pela graça de Deus” e “por quem os sinos dobram”, mas, especialmente nesse clima, eles estão muito, muito pertos. Mas mais do que isso, lembrarei de Dave como viver em um mundo de pura imaginação, mesmo que isso tenha ficado mais hostil. Dave exigiu muito de todos ao seu redor, mas ele também entregou demais. Você cantou o seu blues, David. Por vários razões, mas na maioria, como você cantou e cantou, por amor. Obrigado, irmão. Você conseguiu a sua paz. Brilhe, seu louco e perfeito diamante.

COURTESY JENNIFER JEFFERY

 

Assessoria Musical · Música

Assessoria Musical #10: Primeira do ano!

Ano novo, promessas antigas. Sempre que passamos pela transição do 31 de dezembro para o dia 1 de janeiro, prometemos a nós mesmos inúmeras mudanças que no fundo, bem lá no fundo, sabemos que são meras ilusões se não decidirmos colocá-las em prática o mais rápido possível. Eu fiz as minhas, admito, mas uma delas já estou colocando em prática… Ou pelo menos tentando. E você?

Música · Textos

1 Minuto

Humberto Gessinger já dizia: ‘Só acredito no que pode ser dito em 3 minutos.” Mas, em alguns momentos, 60 segundos já são o suficiente. No caso de “Good Morning, Captain”, seu desfecho aterrorizante de um único minuto é o bastante para colocar o “Spiderland”, derradeiro disco do Slint, na posição de melhores álbuns de todos os tempos.

Nos seus 7 minutos e 38 segundos de duração, a canção se arrasta nos versos declamados/sussurrados do vocalista Brian McMahan, que narram uma história típica de um filme de M. Night Shyamalan, acompanhados por um instrumental preciso e seco. No minuto final, os instrumentos ganham um peso ainda mais potente e o personagem, desesperado, esbraveja a frase “I miss you”, até se perder em berros assustadores, como se estivesse afundando em um oceano sem fim.

Ouvir essa canção será uma das melhores experiências de sua vida.

Música · Textos

Contexto histórico?

(Meu primeiro texto que foi ao ar no blog da Immagine, no dia 3 de julho de 2017. Link aqui.)

Olá pessoal, estou iniciando hoje o meu espaço particular aqui no site e procurarei trazer, basicamente, textos sobre música. Não, não pretendo ser nenhum crítico chato ou avaliador de discos, bandas ou shows, apenas irei apresentar e comentar álbuns que fizeram ou fazem parte da minha vida, com curiosidades e informações. Uma vez ou outra posso trazer algo sobre cultura “pop” em geral, mas meu foco maior será na área musical.

Para iniciar esse projeto, quero desconstruir algo que percebo com muita regularidade em blogs pela internet: a necessidade que alguns especialistas no assunto têm em explicar analiticamente o seu gosto por algum trabalho. Por exemplo, é muito difícil ver alguma postagem em que o autor coloca o “The Velvet Underground and Nico”, um dos álbuns mais importantes da história da música, no topo de sua lista de melhores discos simplesmente pelo fato dele ter sido realmente o melhor disco que essa pessoa já ouviu, sem precisar explicar a sua importância histórica. Sempre percebo uma necessidade de justificar essa opinião com um contexto ou alguma referência histórica, alguma explicação técnica que, muitas vezes, é apresentada sem sentido. Será que é necessário apreciar o “The Piper at the Gates of Down”, o “Thriller” ou o “Beggar’s Banquet” simplesmente pela importância que eles tiveram na história da música, sem considerar o que essas músicas transmitem ao ouvinte? Qual o problema em dizer que tal trabalho é o melhor que você já apreciou apenas pelo fato de ter sido o que mais te fez sentir emoções boas ou o que mudou o seu modo de enxergar o mundo? Absolutamente nenhum.

Posso estar sendo chato, criando polêmica sem necessidade ou falando besteiras, mas gostaria de exemplificar a minha ideia com minha indicação de hoje. Há 15 anos, o Wilco, uma de minhas bandas preferidas, lançava aquele que considero, até o momento, o melhor disco do novo milênio e um dos mais marcantes da minha vida: Yankee Hotel Foxtrot.

Não me aprofundo em detalhes técnicos, pois não sou nenhum especialista, mas como bom apreciador, percebo que YHC tem uma ótima produção, com arranjos que fogem do convencional (certa mescla de experimentalismo com um forte apelo pop) e uma banda que estava no auge de seu entrosamento. Mas o que realmente mexeu comigo foram as emoções passadas pelas músicas e como eu reagi e absorvi as suas mensagens. As letras de Jeff Tweedy possuem uma carga emocional muito forte, com versos simples, porém belíssimos, que ficam ainda mais nítidos quando são cantados por sua voz arrastada e melancólica. Suas letras se encaixam perfeitamente em momentos que passei, em ótimas memórias que guardo comigo, ou seja, é a trilha sonora de uma fase muito importante da minha vida. E isso já basta para que eu o julgue com tamanha importância.

Anos depois de lançado, é inegável que o disco já possui o seu contexto histórico, a sua importância no cenário musical, o impacto que seu lançamento conturbado causou e contribuiu para chegarmos nesse novo modelo de distribuição de músicas, além da influência que artistas novos tiveram… E isso é muito importante. Mas o que quero passar nesse texto de hoje é que, assim como toda forma de arte, a emoção é o alcance principal que o artista almeja, e não há problema nenhum em reconhecermos isso. Até a próxima!

Ouça-o na íntegra:

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Assessoria Musical · Música

Assessoria Musical #09: Soundgarden MTV Live & Loud (1996)

Encho o peito e digo sem titubear: essa é a MELHOR APRESENTAÇÃO de qualquer banda que eu já vi na vida!

O clima de monotonia e tédio dos integrantes, que mais pareciam estar ali cumprindo uma obrigação, fica muito evidente para mim, e isso abrilhanta ainda mais a apresentação. Seria algo como “já que estamos aqui mesmo, vamos botar pra f#d&%!”. E conseguiram.

A banda está impecável e bastante entrosada. Matt Cameron destrói a sua bateria com viradas espetaculares, os solos de Kim Thayil parecem estar ainda mais afiados e Ben Shepherd só faltou arrebentar as cordas de seu baixo com tanta potência. E Chris então, nem se fala. Que voz! QUE VOZ!

O destaque principal aqui é “Mailman” e “Black Hole Sun”, em suas melhores versões ao vivo de sempre. Superam até as versões de estúdio.

Novamente, digo: ouça sem moderação e com o volume muito alto.

Descanse eternamente em paz, Chris Cornell. O mundo sente falta de um artista do seu nível.

Música

O Feitiço Contra O Feiticeiro

Seguindo a mesma ideia dos textos anteriores, finalizo hoje a “trilogia dos covers”, que começou com o belo “Scream With Me”, onde David Pajo regrava canções do Misfits em formato acústico, e continuou com alguns covers muito interessantes do Johnny Cash em seus álbuns da série American Recordings.

Agora, para fechar com chave de ouro, montei uma lista (mais uma): dessa vez, com regravações que ficaram tão boas ou até melhores do que as versões originais.

Sem mais delongas, vamos logo ao que realmente interessa: as músicas!

Confira abaixo e ouça sem moderação:

Dancing Days
Original: Led Zeppelin (1973)
Cover: Stone Temple Pilots (1995)

https://www.youtube.com/watch?v=JHM40KrbA_k

https://www.youtube.com/watch?v=IusEhJXlCOA

Mrs. Robinson
Original: Simon & Garfunkel (1968)
Cover: The Lemonheads (1992)

https://www.youtube.com/watch?v=9C1BCAgu2I8

https://www.youtube.com/watch?v=zvMFm5nKeUc

Here She Comes Now
Original: The Velvet Underground (1968)
Cover: Nirvana (1991)

https://www.youtube.com/watch?v=–cSzOAx99w

https://www.youtube.com/watch?v=zTKYaSZUgLU

Dead Souls
Original: Joy Division (1981)
Cover: Nine Inch Nails (1994)

https://www.youtube.com/watch?v=MhEm4S-4v_U

https://www.youtube.com/watch?v=sDHqywS6un0

War Pigs
Original: Black Sabbath (1970)
Cover: Faith No More (1989)

https://www.youtube.com/watch?v=K3b6SGoN6dA

https://www.youtube.com/watch?v=w4oZXfrf18Y

Smothered In Hugs
Original: Guided By Voices (1994)
Cover: Local H (1996)

https://www.youtube.com/watch?v=kMHt-OuyOlE

https://www.youtube.com/watch?v=PO4LNUuoW5U

Heroes
Original: David Bowie (1977)
Cover: The Wallflowers (1998)

https://www.youtube.com/watch?v=jBuwC4VJi50

https://www.youtube.com/watch?v=O18bslNM9mE

She Said, She Said
Original: The Beatles (1966)
Cover: The Black Keys (2002)

https://www.youtube.com/watch?v=SMXP7nNzG3A

https://www.youtube.com/watch?v=PaMkh31wppE

Where Did You Sleep Last Night?
Original: Leadbelly (1940)
Cover: Mark Lanegan (1990)

https://www.youtube.com/watch?v=PsfcUZBMSSg

https://www.youtube.com/watch?v=4eujkWXfSl0

Lake of Fire
Original: Meat Puppets (1984)
Cover: Nirvana (1994)

https://www.youtube.com/watch?v=9jPglNrZhkA

https://www.youtube.com/watch?v=Y_jxjqkNVzI

Venus In Furs
Original: The Velvet Underground & Nico (1967)
Cover: Dave Navarro (2001)

https://www.youtube.com/watch?v=iLQzaLr1enE

https://www.youtube.com/watch?v=K26Ersrc8L0

You Can’t Put Your Arms Around A Memory
Original: Johnny Thunders (1978)
Cover: Guns ‘N’ Roses (1993)

https://www.youtube.com/watch?v=TknY89kECq0

https://www.youtube.com/watch?v=L3XkHMD27tU

Pretty Woman
Original: Roy Orbison (1965)
Cover: Van Halen (1982)

https://www.youtube.com/watch?v=ssXAkg0bV6o

https://www.youtube.com/watch?v=t9t9kxm-s6Y

Da Lama Ao Caos
Original: Chico Science & Nação Zumbi (1994)
Cover: Sepultura (2015)

https://www.youtube.com/watch?v=35FNubkuxwg

https://www.youtube.com/watch?v=j44wrohm3ac

E para finalizar, o feitiço virou contra o feiticeiro:

Ring of Fire
Original: Johnny Cash (1963)
Cover: Social Distortion (1990)

https://www.youtube.com/watch?v=It7107ELQvY

https://www.youtube.com/watch?v=2BaksqH2YXQ
Ate a próxima!

Filmes

3 Filmes

Mais um final de semana “regado” a filmes passou e faço questão de indicá-los a quem ler esse texto.

Começando com “Ensaio Sobre A Cegueira”, lançado em 2008 e dirigido por Fernando Meirelles. Baseado na obra-prima de José Saramago, o filme se mantém fiel ao livro, apesar de se perder um pouco nos minutos finais. Bom entretenimento.

No domingo, foram dois torpedos em sequência que ainda não digeri completamente: “Um Dia de Fúria”, de 1993, e “O Sexto Sentido”, lançado em 1999.

O primeiro, dirigido por Joel Schumacher, nos apresenta um Michael Douglas em altíssimo nível interpretando um cidadão literalmente em um dia de fúria, tentando atravessar a cidade à pé para chegar ao aniversário da filha. No meio do caminho, várias situações acontecem e acabam agravando ainda mais o estado de nervos do protagonista.

Depois do baque de “Um Dia de Fúria”, fiquei ainda mais tocado com “O Sexto Sentido”, o já considerado clássico moderno dirigido e escrito por M. Night Shyamalan. Com um roteiro ESPETACULAR e uma construção que nos prende a todos os instantes e a todos os detalhes, a trama vai se desenrolando e ficando cada vez mais instigante com o passar dos minutos. O final surpreendente (apesar de ser possível “sacá-lo” antes) fecha com chave de ouro esse que já é um dos melhores filmes que assisti em 2017.

Até a próxima!

Música · Textos

Johnny Cash e Seus Discípulos

Certa vez, Trent Reznor, cérebro por trás do Nine Inch Nails, disse em uma entrevista qual foi sua reação ao ouvir a versão de Johnny Cash para seu hino definitivo, “Hurt”: foi como “ver alguém beijando sua namorada” e que a canção não mais o pertencia. Apesar de ainda preferir a original, mais melancólica e mais caótica, é inegável que Cash acrescentou uma carga emocional ainda mais forte à canção, muito devido à sua saúde fragilizada na época.

Citei “Hurt” por ser, talvez, a música mais conhecida atualmente na voz de Johnny Cash. Além da canção já citada, Cash gostava de se aventurar em regravações de grandes clássicos de outros artistas, sempre colocando a sua marca: a voz potente e grave acompanhada por seu fiel violão.

“The needle tears a hole.
The old familiar sting
Try to kill it all away,
But I remember everything.
What have I become?
My sweetest friend,
Everyone I know
Goes away in the end.”

Confira abaixo outras canções que ganharam uma versão interessante do man in black. Algumas mantém a estrutura original e ganham força com a potência vocal de Cash, enquanto outras foram desconstruídas e recriadas pelo artista.

Meu maior destaque é “The Mercy Seat”, uma das canções mais marcantes da extensa discografia de Nick Cave e seus Bad Seeds. A música é um épico alucinante de sete minutos, onde o personagem central questiona o duro destino na qual ele terá de enfrentar: a cadeira elétrica, também vista como um trono da misericórdia perante deus. Cash mantém o mesmo clima sombrio da original, agora substituindo todo o caos sonoro por um violão acompanhado de um órgão e um piano.

“Rusty Cage”, escrita por Chris Cornell, também ganha uma regravação interessante, onde o peso do Soundgarden é trocado por um ritmo mais voltado à country music.

“Did I disappoint you?
Or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love
And you want me to go without.”

“And the mercy seat is waiting,
And I think my head is burning,
And in a way I’m yearning
To be done with all this measuring of truth.
An eye for an eye,
A tooth for a tooth,
And anyway I told the truth,
And I’m not afraid to die.”

“Reach out and touch faith
Your own personal Jesus.
Someone to hear your prayers,
Someone who cares…”

“You wired me awake
And hit me with a hand of broken nails.
You tied my lead and pulled my chain
To watch my blood begin to boil
But I’m gonna break, I’m gonna break my
I’m gonna break my rusty cage and run!”

Todas foram lançadas nos discos da série American Recordings.

 

Assessoria Musical · Música

Assessoria Musical #08

 

Há tempos eu não tinha “bandas favoritas que não paro de ouvir um só minuto”. Por duas semanas seguidas, Pixies e Filter têm sido as mais constantes nas minhas audições diárias, e merecem todo o espaço possível dentro do meu próprio espaço(?).

Do Pixies, em meio a uma discografia curta, mas de altíssimo nível, seleciono o “Bossanova”, lançado em 1990. Perfeito do início ao fim, alternando entre gritos desesperados e até momentos que remetem a canções de ninar, como “Havalina” e “Ana”.

Infelizmente, sobre o Filter, não posso dizer o mesmo em relação à “discografia de altíssimo nível”. Apesar de considerar os dois primeiros discos como “must listen”, eles foram perdendo o fôlego ao longo dos anos. “Short Bus”, a estréia dos caras, é um soco nos nossos ouvidos e ótimo para sentir uma adrenalina.

Ouça sem moderação.