Língua Presa · Traduções

Encontre Os Outros

Tradução livre da citação de Timothy Leary, “Encontre Os Outros”:

“Admita. Você não é como eles. Nem perto disso. Você pode, ocasionalmente, se vestir como eles, assistir os mesmos programas idiotas na televisão como eles, talvez até comer as mesmas comidas de fast food.

Mas parece que quanto mais você tenta se encaixar, mais você se sente um estranho, assistindo as “pessoas normais” em suas existências automáticas.

Para cada vez que você diz frases convencionais como ‘tenha um bom dia’ ou ‘o tempo está péssimo hoje, hein?’, você anseia por dentro, querendo dizer coisas proibidas como ‘me diga algo que te faz chorar’ ou ‘o que você pensa sobre o déjà vu?’.

Veja, você quer conversar com aquela mulher no elevador. Mas e se ela e o careca que passa pela sua sala no trabalho estão pensando a mesma coisa? Quem sabe o que você pode aprender por arriscar e ter uma conversa com um estranho? Todo mundo carrega uma peça do quebra-cabeça. Ninguém entra em sua vida por mera coincidência.

Acredite em seus instintos.
Faça o inesperado.
Ache os outros.”

Língua Presa · Quarta Parede

Sobre “Titane”, da Julia Ducournau

A gente reclama que hoje em dia só sai remake e filme de herói, mas aí quando surgem ideias originais, o que fica no hype são bombas como “Titane” (2021). Que filme terrível.

O que é uma pena, pois o documentário de estreia da diretora, “Junior”, de 2011, e seu segundo longa-metragem, “Raw”, de 2016, são ótimos.

“Titane” é mais um caso daqueles filmes classificados como “diferentes”, “não-convencionais”, “desconfortáveis”, “para poucos”, “bizarros” e não sei o que mais, mas que são apenas chatos mesmo.

Difícil acreditar que esse filme levou o prêmio máximo no Festival de Cannes.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #25: Foi Só Elogiar…

Elogiei tanto a postura do time no jogo de ida, que a frustração ao ver o jogo hoje foi inexplicável.

Com tanta munição que o time deles nos deu nessa última semana, ver um time apático e sem vontade desse dentro de campo foi inadmissível.

Uma pena que o futebol premia os mais arrogantes, mas a falta de atitude do Atlético foi determinante para a eliminação. O Flamengo nem esforço fez, e se quisesse, teria feito mais gols.

Esse time não merece a torcida que tem. E já deu pro Turco, né? Com ele, o time é só ladeira abaixo.

Agora olho para o céu e pergunto pro meu pai: por quê? Por que me fizestes gostar dessa praga?

Direto do Forno · Música

Guided By Voices – Lizard On The Red Brick Wall (Vídeo)

Não me canso de escrever sobre o Guided By Voices, assim como o Robert Pollard não se cansa de criar canções. Já perdi as contas de quantos álbuns saíram nos últimos anos.

“Lizard On The Red Brick Wall” é a primeira faixa do Tremblers And Goggles By Rank, que saiu do forno sexta passada. Ainda não ouvi o disco completo, mas queria destacar essa música em específico, porque é uma das melhores que a banda lançou nesses últimos trabalhos.

Ela possui um riff pesado, sujo e grudento, bem acompanhado pela bateria, baixo e a voz cada vez mais rouca de Pollard. O vídeo também é um agrado à parte, psicodélico como as capas dos álbuns, mas bem produzido, em contraste com a produção lo-fi das músicas.

O Guided By Voices entrou naquele panteão em que coloco Nick Cave e os Bad Seeds e o Deftones: artistas cujos trabalhos vão ficando cada vez melhores com o passar dos anos.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #24: Não Tem Nem Comparação

Após a segunda derrota seguida para o Galo, o Gabriel, que não jogou nada em nenhum dos dois jogos, disse à televisão que lá no Maracanã “eles vão saber o que é inferno, o que é pressão”. Hulk respondeu que no elenco do Galo não tem menino, que os jogadores são experientes e acostumados a jogar em ambientes desfavoráveis .

No último final de semana, Gabriel fez 1×0 para o Flamengo contra o América-MG e mesmo assim ouviu vaias da torcida. Em entrevista, disse que o time só estava ganhando por causa dele e que a relação dele com a torcida é de briga, mas dormem juntos. Ou seja, debochou daqueles que estão lá para apoiar o time.

Enquanto isso, no Mineirão, Hulk assistia apreensivo o jogo entre Galo x Fortaleza, direto das arquibancadas, já que não fora relacionado por estar tratando de uma lesão. A câmera da transmissão acompanhou de perto as reações do atacante, que foi da tristeza enquanto o jogo estava 0x2 para o Leão Nordestino, para a euforia da virada no último lance.

Enquanto o Gabriel precisa de um time bem organizado (ou do Bruno Henrique) para se destacar, o Hulk é quem pega o time do Atlético pelas mãos e faz a engrenagem girar. Mesmo fora de campo.

Não tem nem comparação.

Língua Presa · Quarta Parede

Sobre o recente “Pleasure”, da Ninja Thyberg

Assisti com a minha namorada e levantamos alguns pontos:

-O tanto de homem que ficou milionário às custas dessas mulheres, os famosos “agentes”;

-A diferença de tratamento no set de filmagem quando a equipe é composta totalmente por homens, e quando é uma equipe comandada por uma diretora;

-O que mais me causou incômodo: a cena de “sexo violento”. Quando Bella vai conversar com o agente dela após a cena, chorando e reclamando que foi abusada e ele diz que tudo foi consentido, que ela é quem pediu para fazer cenas pesadas e etc… Eu vejo sentido na fala dele, até porque ela fez mesmo tal pedido, mas até que ponto o consentimento da atriz permite que os caras podem fazer o que quiser? Será que não existe um limite para tais “atuações”?

Ficam os questionamentos.

No mais, achei a protagonista meio… sem alma. Sem uma motivação convincente. O que achei mais interessante mesmo foram os bastidores da indústria, desde o início amador ao glamour das grandes produções.

Garimpo · Música

Agora Você Me Ama, Jr.?

Ontem decidi revisitar os projetos das queridas irmãs Deal e fiz algumas observações:

– Apesar de ficar um pouco à sombra da irmã mais conhecida, a Kelley Deal 6000 tem dois discos muito bons e que merecem um pouco mais de atenção;
– Como o disco da The Amps é maravilhoso!;
– Ao ouvir os EP’s das Breeders, descobri algumas músicas desconhecidas muito boas e que só aumentaram ainda mais minha admiração pela banda.

E é justamente um desses b-sides da The Breeders que vou deixar aqui, porque conta com a participação de ninguém menos que J Mascis, do Dinosaur Jr. Ele acompanha Kim Deal nos vocais, formando um dueto estranho e interessante, algo que eu jamais pensei que ouviria um dia.

No single de “Divine Hammer”, lançado em outubro de 1993, a banda fez uma releitura de “Do You Love Me Now?”, canção que faz parte do clássico Last Splash, do mesmo ano. Essa nova “versão” foi intitulada “Do You Love Me Now Jr.?”, fazendo uma clara alusão à participação de J Mascis.

Assim que a música começou a tocar e ouvi aquela voz diferente, fiquei pensando “eu conheço essa voz de algum lugar”, até que me dei conta de quem era. Ficou realmente muito legal.

Direto do Forno · Música

Tem Mais

Calma que tem mais coisa nova por aí.

Com um vídeo digno de um episódio do Midnight Gospel com Cuphead, o black midi lançou “Welcome To Hell”, primeiro single do seu próximo disco, Hellfire, que verá a luz do dia em 15 de julho.

Mais uma loucura de som que faz do black midi uma das bandas mais interessantes da atualidade.

Também passou batido pela minha pessoa mais uma música da Angel Olsen, a terceira já disponível do tão aguardado Big Time.

“Through The Fires” é pra lá de melancólica e possui uma levada um pouco mais lenta do que as duas anteriores. É difícil não ser tocado pela voz dessa mulher.

Por último, o prolífico Lou Barlow (Sebadoh, Dinosaur Jr., Folk Implosion) está com banda e músicas novas. Ele se juntou com membros da banda Eat Fire Spring e formou a Lou Barlow and Company.

Dessa reunião já temos um compacto com duas músicas, “Only Fading” e “Sacrifice”, e gostei do resultado. Lembrou os bons momentos do Sebadoh.