Crônicas · Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #21: Morre a Última História de Amor do Futebol

Torço por uma reviravolta, mas já houve até um anúncio oficial: Messi está fora do Barcelona. O maior jogador da história do clube procurará outra casa após vinte e um anos de serviços prestados. Tantas jogadas geniais, gols antológicos, provocações, polêmicas e títulos empilhados ficarão somente nas lembranças dos fãs e nos arquivos da história desse esporte tão mágico.

Não consigo imaginar um mundo onde Messi e Barcelona não estarão mais lado a lado. Será muito estranho vê-lo com uma camisa diferente.

Morreu hoje a última história de amor do futebol.

Crônicas · Língua Presa · Música

Proteção

Foi no final de 2011 que tivemos Sky pela primeira vez. A morte recente de meu pai deixou um silêncio ainda maior na casa, e a TV por assinatura caiu muito bem para tirar um pouco o tédio. Conheci Seinfeld, não perdia nenhum episódio (passava de segunda à sexta na Sony) e até hoje é minha comédia favorita de todos os tempos. Também fiquei viciado na PlayTV e seus programas sobre música e videogames.

Em um desses programas, o canal convidava algum artista para apresentar cinco videoclipes de seu agrado, independente do estilo. Um dos convidados foi o Paulão, da Velhas Virgens, e logo de cara ele mandou “Protection”, do Massive Attack. Foi minha porta de entrada ao universo nebuloso do Trip Hop.

Tracey Thorn, do Everything but the Girl, é quem canta. Sua voz é doce, tranquila e melancólica, casando bem com os versos, que a depender de quem interpreta, é sobre relacionamentos, pequenos gestos amorosos e coisas nesse sentido. No instrumental, um simples riff de guitarra é repetido por todos os seis minutos da música, assim como a bateria, fora alguma ou outra virada e alguns efeitos eletrônicos. O videoclipe é um plano-sequência mostrando os integrantes da banda em seus apartamentos fictícios, em momentos que retratam a vida comum. Uma janta, uma conversa, uma brincadeira.

É início de noite da última quarta-feira e “Protection” começa a tocar em meus fones. O pôr-do-sol está do lado contrário, pessoas vêm e vão e lá no final da pista, um casal se abraça. Passei por eles.

“I can’t change the way you feel,
but I could put my arms around you.”

Fiquei pensando se era apenas coincidência.

No domingo, às 5 da manhã, estava voltando de Barreiras, cansado, mas sem sono. Mesmo sendo um trajeto curto, parece que as cidades não chegam nunca, seja na ida ou na volta. E apesar do horário, nada de claro no céu. Na entrada de Luis Eduardo, “Protection” mais uma vez. Repeti a música várias vezes até chegar em casa.

“I stand in front of you,
I’ll take the force of the blow.”

Cheguei em casa, guardei o carro e fui mexer no celular para desligar o som. Olhei para a foto da tela bloqueada por alguns segundos. Eu, com cara emburrada, e minha mãe, talvez com o sorriso mais lindo que já vi, em 1990 alguma coisa.

Proteção. Entendi.

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Não Ao Futebol Moderno #20: O Neymar do Surfe

Ter um chiliquento como melhor jogador do país há anos não é o suficiente. Agora um dos melhores surfistas do Brasil também é um mimado, cercado por uma bolha de baba-ovos e que não aceita a derrota.

Como pode a imprensa dar tanta importância para o que a namorada do Medina faz ou fala? Por que isso está sempre nos holofotes?

Não o bastante, fizeram a cabeça do público de que a medalha foi “roubada”, e somada à atitude do menino-adulto de fazer bico e jogar no ar uma suposta manipulação, brasileiros invadiram as redes sociais do japonês que o venceu, enchendo o cara de xingamentos, ironias e tudo o mais.

O brasileiro é um povo muito educado e hospitaleiro, eles dizem.

Direto do Forno · Música

Melvins – Night Goat (Acústico) (Single)

Pela primeira vez em quase quarenta anos de estrada, os Melvins lançarão um disco inteiramente acústico. Composto por alguns covers e canções selecionadas de toda a discografia da banda, serão duas horas e meia divididas em 36 músicas. Material para quem realmente é fã.

O primeiro single desse projeto é “Night Goat”, minha música favorita deles, presente no disco Houdini, de 1993. Tem uma versão dela de 1992 lançada em um disco de sete polegadas que é ainda melhor.

Sendo sincero, não me agradou tanto, mas vale pela curiosidade. Five Legged Dog sairá do forno em 15 de outubro desse ano, sempre pela Ipecac.

Crônicas · Garimpo · Língua Presa · Música

Os Sinos Dobram Para o Einstürzende Neubauten

As corridas/caminhadas de fim de tarde sempre rendem algum tema para escrever. São momentos onde a cabeça passeia com o movimento dos carros, pessoas, as paisagens e tudo mais que aparece pelo caminho. E claro, com as músicas que ouço.

Ontem, exatamente às 18 horas, passei em frente à igreja do Jardim Paraíso e o sino começou a badalar. Ao mesmo tempo, tocava no celular “Feurio!”, uma música do grupo alemão Einstürzende Neubauten, conhecido pelo seu som altamente experimental, cheio de barulhos, metais, instrumentos próprios e tudo mais que você imaginar.

“Feurio!” é uma canção barulhenta e os badalos do sino começaram, acredite, a acompanhar o que tocava em meus ouvidos. Mais ou menos com um minuto e meio, a voz do Blixa Bargeld ganha um volume mais alto e ecoado, e foi entre cada eco desses que os badalos apareceram e causaram um temor ainda maior na experiência.

Será difícil repetir, talvez até impossível, mas se ouvir essa música, tente imaginar. É uma loucura.

Garimpo · Língua Presa · Música

“Aí Mata Nois, Hein?”

Assim respondeu meu amigo Leonardo, após eu mandar para ele “Here To Go”, minha música favorita do Idaho.

O Idaho foi fundado em 1992 e continua na ativa até hoje. Inclusive, mandei uma mensagem para Jeff Martin, co-fundador, no Instagram ano passado, parabenizando-o pela longevidade do projeto, mesmo à margem da grande mídia, e como isso era uma inspiração para mim.

Escrevi um pouco sobre a história do Idaho aqui.

Ouça “Here To Go”:

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #19: São Everson

Jogos como Atlético-MG x Boca Juniors ontem são os que fazem do futebol o esporte mais apaixonante do planeta.

Na metade do segundo tempo, Everson era o candidato a vilão da eliminação alvinegra, e após o final dos pênaltis, ele é o grande herói da classificação.

Pegou duas cobranças, contou com a sorte em outra e ainda mandou no ângulo a cobrança definitiva, que decretou o fim do mundo argentino.

Já revi o lance umas cem vezes e meus olhos enchem d’água toda vez. É a redenção que nem os melhores escritores poderiam prever.

Que a benção de São Victor do Horto caia sobre Everson, e que daqui uns meses ele também possa ser canonizado.

Direto do Forno · Música

Courtney Barnett – Rae Street (Single)

É provável que todos os sites sobre música e cultura pop do planeta já tenham falado sobre o novo single da Courtney Barnett, “Rae Street”. E como ando quase sempre na contramão, mesmo já fora de tempo, também coloco aqui a informação, pois quase tudo que essa mulher inventa é agradável aos ouvidos.

“Rae Street” tem um refrão que gruda na mente: “time is money and money is no man’s friend.” Não poderia concordar mais. Além, claro, do instrumental certinho e a voz preguiçosa e aconchegante de Courtney.

Em novembro sai o próximo disco dela, Things Take Time, Take Time. Há quem diga que ela é “o novo Dylan”, o que eu acho um exagero. Mas é inegável que Courtney é uma das artistas mais criativas dos últimos anos, vide o disco que ela fez com o Kurt Vile. Uma maravilha do indie moderno.

Direto do Forno · Música

FEELS – Night Walker (Single)

Já faz dois anos e meio que Post Earth, o último álbum do FEELS, saiu do forno. E para quebrar esse vazio de lançamentos, a banda prepara um novo EP, Subversive Reaction, para a próxima semana.

O FEELS faz um som sem muita firula, aquele rock sujo e agitado bem gostoso de ouvir, muito inspirado na cena noventista. “Night Walker” é o primeiro single desse próximo disco e não foge muito disso.

Uma banda interessante para se conhecer e acompanhar.

Direto do Forno · Música

Deafheaven – The Gnashing (Single)

Enquanto os “fãs” continuam dando chilique pela mudança de sonoridade do Deafheaven, sigo empolgado com o lançamento de Infinite Granite, o próximo disco deles, que sairá pela Sargent House mês que vem.

E se eu ainda estava na dúvida se “Great Mass of Color” era apenas um ponto fora da curva, parece mesmo que esse novo trabalho tomará um rumo mais diferente. “The Gnashing” saiu ontem e segue a mesma tendência do single anterior, com guitarras barulhentas abafando o vocal, que antes era gritado e agora é mais delicado, criando uma atmosfera melancólica e psicodélica.

Não gosto de expectativas, mas é um dos lançamentos que mais aguardo para os próximos meses.