Crônicas · Garimpo · Língua Presa · Música

Os Sinos Dobram Para o Einstürzende Neubauten

As corridas/caminhadas de fim de tarde sempre rendem algum tema para escrever. São momentos onde a cabeça passeia com o movimento dos carros, pessoas, as paisagens e tudo mais que aparece pelo caminho. E claro, com as músicas que ouço.

Ontem, exatamente às 18 horas, passei em frente à igreja do Jardim Paraíso e o sino começou a badalar. Ao mesmo tempo, tocava no celular “Feurio!”, uma música do grupo alemão Einstürzende Neubauten, conhecido pelo seu som altamente experimental, cheio de barulhos, metais, instrumentos próprios e tudo mais que você imaginar.

“Feurio!” é uma canção barulhenta e os badalos do sino começaram, acredite, a acompanhar o que tocava em meus ouvidos. Mais ou menos com um minuto e meio, a voz do Blixa Bargeld ganha um volume mais alto e ecoado, e foi entre cada eco desses que os badalos apareceram e causaram um temor ainda maior na experiência.

Será difícil repetir, talvez até impossível, mas se ouvir essa música, tente imaginar. É uma loucura.

Garimpo · Língua Presa · Música

“Aí Mata Nois, Hein?”

Assim respondeu meu amigo Leonardo, após eu mandar para ele “Here To Go”, minha música favorita do Idaho.

O Idaho foi fundado em 1992 e continua na ativa até hoje. Inclusive, mandei uma mensagem para Jeff Martin, co-fundador, no Instagram ano passado, parabenizando-o pela longevidade do projeto, mesmo à margem da grande mídia, e como isso era uma inspiração para mim.

Escrevi um pouco sobre a história do Idaho aqui.

Ouça “Here To Go”:

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #19: São Everson

Jogos como Atlético-MG x Boca Juniors ontem são os que fazem do futebol o esporte mais apaixonante do planeta.

Na metade do segundo tempo, Everson era o candidato a vilão da eliminação alvinegra, e após o final dos pênaltis, ele é o grande herói da classificação.

Pegou duas cobranças, contou com a sorte em outra e ainda mandou no ângulo a cobrança definitiva, que decretou o fim do mundo argentino.

Já revi o lance umas cem vezes e meus olhos enchem d’água toda vez. É a redenção que nem os melhores escritores poderiam prever.

Que a benção de São Victor do Horto caia sobre Everson, e que daqui uns meses ele também possa ser canonizado.

Diversos · Garimpo · Língua Presa · Música

Mundo Livre S/A + Malu Mader

“Musa da Ilha Grande” é um clássico da música brasileira. A mistura perfeita entre samba e rock’n’roll, marca registrada do Mundo Livre S/A.

Lendo curiosidades sobre o Samba Esquema Noise (1994), disco em que a música faz parte, descobri que houveram várias participações em sua criação, principalmente do pessoal dos Titãs, já que foi o selo deles que distribuiu o álbum.

Uma dessas participações é da atriz Malu Mader, global que fez muito sucesso nos anos noventa e início dos anos 2000, justo em “Musa da Ilha Grande”. Ela fez backing vocals que aparecem no finalzinho da música:

“Não saio nãããão”;
Não saio, não saio, não saio”;
“Quero saber se eu saio”.

Samba Esquema Noise é meu álbum brasileiro favorito, muito rico em estilos, detalhes e com letras afiadas, com um humor refinado e críticas sociais que continuam tão atuais quanto o ano de seu lançamento.

O melhor de tudo é que o Mundo Livre S/A continua na ativa e o próximo trabalho da banda será lançado ainda esse ano.

Crônicas · Diversos · Língua Presa · Música

Final de Filme

Ontem à tarde eu e meu amigo Zé fomos levar o Pretinho para a casa nova dele. Dos nove filhotes que nasceram, ele era o mais querido, e até quem não gosta de cachorro, como o Zé, criou um certo apego nele. Ele era muito atentado, queria brincar o tempo todo, irritava seus pais e comia igual um leão.

No trajeto até seu novo lar, Pretinho conheceu a rua pela primeira vez. Observou os carros passando, as pessoas caminhando e o belo pôr-do-sol que essa cidade tem. No rádio do carro tocou “Someone Else’s Song”, do Wilco, uma canção só voz e violão com uma letra de amor boba, mas sincera, que fica ainda mais emocionante na voz de Jeff Tweedy.

Soma-se o contexto da adoção do Pretinho com a música e aquele momento ganhou um tom de despedida, uma emoção não nítida em nossas faces, mas que lá dentro ela ferveu. Pareceu uma cena final daqueles filmes onde tudo dá certo e as pessoas saem realizadas com um sorriso no rosto.

O Pretinho agora é Romeu e sua nova dona já até me mandou uma foto dele enrolado em um cobertor. Foram quarenta e cinco dias que ele, sem saber, alegrou a minha casa e a vida de alguns vizinhos, mesmo que por alguns poucos minutos.

Aquele pestinha vai longe.

Diversos · Garimpo · Língua Presa · Música

Fly Anakin e o Streaming

Há alguns dias, o rapper Fly Anakin tomou a decisão de retirar boa parte do seu material das plataformas de streaming e deixá-las somente no Bandcamp. Sua alegação foi a mesma de tantos outros artistas: o pagamento dessas empresas aos cantores e bandas é pífio, se comparado ao que elas recebem.

Tal atitude demonstra muita coragem por parte dele, enfrentando um sistema que cada vez mais toma conta do mercado, direcionando os ouvintes a terem acesso mais fácil ao que o “algoritmo” oferece, ou seja, ao que está na moda ou a quem paga mais para ser divulgado.

Mesmo que seja um golpe quase imperceptível nesse monstro gigante, a atitude de Fly Anakin é louvável. Deixo abaixo o lançamento mais recente do cara, Pixote, EP lançado na última sexta-feira.

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #18: Esse Lisca tá de Brincadeira

Parece que o sucesso e as aparições em programas de TV fizeram o Lisca começar a se achar um pouco além do normal. Agora sempre que o América perde, a culpa não é da incompetência do time, e sim de fatores externos. E com a ajudinha da imprensa, muita gente cai nessas balelas.

Ninguém falou da arbitragem tendenciosa do juiz, que amarelou cinco jogadores do Galo em lances, no mínimo, discutíveis, além do pênalti inexistente que ele marcou. Sorte nossa que o Rodolfo mandou no travessão e perdeu a ÚNICA chance de gol que o América teve.

Sim, ÚNICA! Porque nos dois jogos da final, os lances de real perigo foram todos do Atlético. Ontem mesmo o Cavichioli fez duas defesas muito difíceis, dessas que mesmo assistindo, é difícil acreditar.

Então seria bom o Lisca baixar um pouco a bola dele, começar a ver os próprios defeitos da sua equipe e parar de inventar desculpas toda vez que forem incompetentes.

Garimpo · Língua Presa · Música · Quarta Parede

Wilco – How to Fight Loneliness (Ao Vivo no Late Night with Conan O’Brien, 1999)

Em 1999, o Wilco lançou um de seus melhores discos, o Summerteeth. Para divulgá-lo, como de praxe, a banda rodou por alguns programas de TV e claro, passou pelos talk shows mais famosos da época.

No mesmo dia que eles foram ao Late Night with Conan O’Brien, a convidada da noite era ninguém menos que Winona Ryder, mas isso não foi apenas coincidência. A atriz protagonizou o drama Garota, Interrompida e a canção “How To Fight Loneliness” faz parte da trilha sonora do filme. Muito gentil com os caras, foi Winona quem deu as boas-vindas a Jeff Tweedy e cia, com direito a um grande elogio:

“Uma das melhores e mais importantes bandas do século e minha banda favorita.”

Depois dessa, eles não precisavam de mais nada, né?

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #17: A Tal da “Superliga da Europa”

Não vou entrar em detalhes sobre o “clubinho da soberba” que resolveu criar uma liga própria lá na Europa, pois existem matérias suficientes que explicam essa patacoada. Mas acho, no mínimo, engraçado que o seleto grupo dos chamados “doze grandes” daquele continente tenham o Manchester City, Arsenal, Tottenham e o Atlético de Madrid, quatro times que jamais venceram a Champions League, sendo que um deles só “cresceu” graças à injeção de grana estrangeira.

Uma rápida pesquisa na internet e podemos encontrar:

Borussia Dortmund – Campeão em 1997;
Ajax – Campeão em 1971, 1972, 1973 e 1995;
Porto – Campeão em 1987 e 2004;
Benfica – Campeão em 1961 e 1962
Olympique de Marselha – Campeão em 1993;

E por aí vai. A lista é enorme, até o Estrela Vermelha, um tradicional clube sérvio, já levou esse troféu. Tudo bem que alguns clubes perderam a relevância e a força com o passar dos anos, mas tradição não se apaga. Esses magnatas intrusos do futebol atual precisam entender que esse esporte não nasceu na última década.

Espero que esse torneio fajuto jamais venha a se tornar real.

+Filmes · Língua Presa

VOGLIO UNA DONNA!

Amarcord foi o primeiro filme do Fellini que assisti, e por sugestão de uma amiga, encarei-o sem ler a sinopse. O resultado foi de uma surpresa sem igual, afinal, não esperava um filme tão engraçado e cheio de momentos marcantes.

O principal deles, claro, foi quando o tio louco do garoto Titta sobe numa árvore e não desce de jeito nenhum. Mais do que isso, ele começa um verdadeiro escândalo lá no topo, gritando a plenos pulmões que precisa de uma companheira: “Voglio una donnaaaaa!”

Tente não rir com a cena.