Direto do Forno · Música

Placebo – Beautiful James (Single)

São oito anos desde Loud Like Love, o último disco cheio da banda, fora alguns singles aqui e outros ali nesse meio tempo. Mas parece que a espera para o tão aguardado novo álbum do Placebo está acabando. Ontem eles soltaram a inédita “Beautiful James”, primeiro single do próximo trabalho, que ainda não foi anunciado de forma oficial.

Lembrando bons momentos do Sleeping With Ghosts (2003), a nova música de Brian Molko e Stefan Olsdal (é, agora Placebo é uma dupla) surpreendeu de forma favorável.

Eu não esperava que ela fosse tão boa!

Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #22: “Humildade Pura”

Richarlison protagonizou mais um episódio digno de jogador mimado, como a maioria dos que compõem a seleção brasileira atualmente. Após o evento onde ele quis bater um pênalti e foi impedido JUSTAMENTE pelo capitão do Everton, já que ele não é o cobrador oficial, hoje ele deu piti com o treinador porque foi substituído.

No Instagram dele, chamou a atenção alguns comentários como “humildade pura”, “humilde demais” e “diferenciado”. Será mesmo que esses colegas viram o que aconteceu? É esse tipo de “baba-ovice” que fez a “Escola Neymar” crescer.

Dá pra ver que o sucesso subiu à cabeça do cara. Uma pena, já que ele tem bastante potencial.

Crônicas · Língua Presa · Música

Tjú, tjú

Estávamos os cinco no quarto com a luz apagada, dois sofás, com dois em cada um e eu deitado no chão. Era meio da madrugada e o cansaço falava alto. Uma delas deu a ideia de colocar música e escolheu “Svefn-g-englar”, do Sigur Rós.

Até então, eu só conhecia o Sigur Rós pelo Kveikur, de 2013, mas nada tão aprofundado. Depois dessa madrugada, isso mudou.

Nos dez minutos de duração de “Svefn-g-englar”, um silêncio absoluto. Me soltei de vez no chão e observei. Uma parecia entediada, ou estava apenas cansada, mas seus olhos não fecharam. A que colocou a música, em transe, movimentando os lábios, como se cantasse junto, mesmo que a música seja em islandês. Do lado da entediada, a outra pessoa estava apenas quieta, não parecia prestar atenção. E a que estava do lado de quem escolheu a música, ela deitou e fechou os olhos, sonhando acordada naquele som que mais parecia o ressoar de uma divindade nórdica.

Lendo comentários no Youtube sobre o vídeo abaixo, o mais comum é “essa é a canção que quero em meu funeral”, mas achei um que define bem o que sinto ao ouvir “Svefn-g-englar”. Eu, que não possuo fé alguma, vejo-a como “deus em forma de música”.

Direto do Forno · Música

Kid A Mnesia

Para comemorar as duas décadas de Kid A (2000) e Amnesiac (2001), o Radiohead vai juntar ambos em um projeto só, intitulado KID A MNESIA, previsto para sair em cinco de novembro desse ano.

Ao que parece, será um compilado de material inédito, canções já conhecidas e sobras de estúdio. Para o anúncio desse belo pacote, a banda soltou “If You Say The Word” para audição.

O que mais chama atenção é o seguinte: os caras são tão acima da média, que uma música como “If You Say The Word” é tratada como “sobra de estúdio”, ou “não boa o suficiente para entrar no disco”. E a música é maravilhosa!

Direto do Forno · Música

Gary Lee Conner – Truth Eater (Single)

Quando descobri que o Gary Lee Conner continua na ativa, mesmo como um completo outsider da grande mídia, passei a acompanhar suas viagens psicodélicas mais de perto. Com uma produção considerada extensa para alguém que trabalha sozinho, não é nenhuma surpresa que após dois discos lançados no último ano, o maluco já esteja com outro saindo do forno.

Truth Eater foi divulgado há algumas semanas, bem como sua faixa-título e a possível capa do trabalho. Desculpe a repetição, mas esse som é puro Screaming Trees, reforçando mais ainda que ele era o grande cabeça da banda.

Confira.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Dark Sky Burial

O Dark Sky Burial é o projeto paralelo de Shane Embury, multi-instrumentista e baixista de longa data do Napalm Death. Se nas quatro cordas ele atordoa seus ouvintes na banda de metal extremo, aqui ele é capaz de fazer o mesmo, mas com uma abordagem diferente.

Com uma mistura de música eletrônica e industrial, passeando também pela ambient music, o Dark Sky Burial chega a ser mais acessível que o próprio Napalm Death, apesar de também ser bastante experimental e causar estranhamento aos ouvidos não tão acostumados com barulhos hipnóticos em alguns momentos, e incômodos noutro.

No início do mês saiu Vincit Qui Se Vincit, o terceiro disco do Dark Sky Burial, contendo nove canções. O interessante é ouvi-las em sequência, como se fosse uma única e longa peça instrumental.

Crônicas · Língua Presa · Música

Falando Sobre O Kevin

A mãe do Kevin fez um curso de corte de cabelo e eles me convidaram para ser uma das cobaias. Claro que fui, quase não saía nas noites de meio de semana e seria uma oportunidade para viver algo diferente.

Isso foi em 2004, 2005, por aí.

Queria entender como minha mente resgatou essa lembrança em pleno trânsito infernal das cinco da tarde, naquela loucura de setas, troca de faixas, buzinas, ultrapassagens e tudo mais. Porque não é algo marcante na minha vida, pelo contrário, eu quase nem lembrava mais disso. Até que, de repente, bum!, apareceu.

Minha amizade com o Kevin foi relâmpago. Frequentei muito sua casa para jogar Playstation, sua família me tratava quase que como um parente. Até que ele se mudou para os EUA (como quase todo mundo de Governador Valadares), sem nenhum aviso e perdemos contato por completo.

Como diria Eddie Vedder, “memories, like fingerprints are slowly raising…”.

+Filmes · Diversos · Língua Presa

Trecho de Entrevista com Kieslowski

“Morto em 19 de junho de 2019, o crítico de cinema Rubens Ewald Filho entrevistou inúmeras figuras importantes ao longo de extensa carreira. Resgatamos aqui sua entrevista com o cineasta polonês Krzysztof Kieslowski no Festival de Cannes de 1994, quando apresentava a terceira parte de sua Trilogia das Cores, A Fraternidade é Vermelha, também seu último filme. Kieslowski acabava de anunciar sua aposentadoria.

R: Acha que já disse tudo que queria em seus filmes?

K: Não é esse tipo de problema… Eu só estou muito cansado, e, como disse, não sou fã de cinema. É só minha profissão. E se tenho a oportunidade de parar, eu paro.

R: A Fraternidade é Vermelha teve excelente reação de crítica, que amou. Isso pode mudar algo?

K: Gosto que as pessoas gostem de meus filmes, porque faço para elas. Os críticos também são parte do público.

R: Por que você escolheu a Suíça, Genebra, para a ação do filme?

K: Porque é dinheiro francês e é um país que fala francês. Podíamos ter feito na Bélgica, mas preferia a Suíça porque a história pertence a esse país.

R: E as coincidências no filme, personagens se reencontrando. Quase uma marca sua. Por quê?

K: Porque acontece muito isso em nossa vida e notei, vi, senti isso. Por isso coloquei no filme. Todos [os filmes da Trilogia das Cores] são diferentes porque são histórias diferentes. O primeiro é um tipo de drama, uma tragédia até. O segundo é uma comédia, o terceiro não sei classificar, não sei bem o que é, mas os críticos farão isso, dirão do que se trata, eu aprenderei…

R: Vai acreditar neles?

K: Não importa. Mas alguém vai rotulá-lo. Mas eu não posso, não sei.

R: O que faz em seu tempo livre?

K: Nos últimos anos não tive tempo livre. Nenhum.

R: Porque tem se falado muito em sua aposentadoria. Realmente se decidiu?

K: Sim…

R: Você vai se aposentar…

K: Já me aposentei.

R: Mas o que um cineasta faz quando se aposenta?

K: Nada, eu espero…

R: Você vai para sua casa e…

K: Você é brasileiro, sabe disso, você gosta da vida. Eu também… Gosto de usar a vida.

R: Cuidar do jardim? Você tem hobbies?

K: Tudo. Respirar, relaxar… tudo.

A entrevista está no material extra do DVD de A Liberdade é Azul (Versátil Home Vídeo). Kieslowski morreu em março de 1996, aos 54 anos. A Fraternidade é Vermelha saiu de Cannes sem nenhum prêmio. Na ocasião, Pulp Fiction ganhou a Palma de Ouro.”

Retirei o trecho acima de um comentário no Filmow feito pelo usuário Rafael Amaral.

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William Basinski – Music for Abandoned Airports: Tegel

Lançado em março de 1978, Ambient 1: Music for Airports, do Brian Eno, é um dos discos de ambient music mais conhecidos e influentes já feitos. Composto por quatro longas peças, ganhou notoriedade com o passar dos anos, sendo literalmente executado até em alguns aeroportos. Ideal para momentos de leitura, pensamento e até mesmo para o silêncio.

Citando Brian Eno de forma direta como inspiração para essa obra, William Basinski resgatou de seus arquivos Music for Abandoned Airports: Tegel, referência clara ao seu precursor.

Com quase vinte minutos de duração, a diferença é que o trabalho de Basinski é levado para um lado mais soturno, não chegando a ser incômodo, mas tomado de melancolia. Seria como contemplar o silêncio em alguma localidade gótica, um castelo, para ser mais exato, passeando ao lado do Conde Drácula e ouvindo os seus lamentos sobre a dor da vida eterna que tanto o assombra (isso no Nosferatu do Werner Herzog).

Music for Abandoned Airports: Tegel foi composta em 1998, mas só saiu do baú no último dia 6.

Direto do Forno · Música

Guided By Voices – My (Limited) Engagement (Single)

Não é brincadeira. O Guided By Voices já anunciou mais um disco. O segundo só em 2021, o quinto desde o ano passado.

It’s Not Them. It Couldn’t Be Them. It Is Them! sairá pela Rockathon Records, do próprio Robert Pollard, em 22 de outubro. O single “My (Limited) Engagement” está disponível para os ouvintes. Ouça.

É isso. Não tenho mais o que acrescentar.