Diversos · Garimpo · Língua Presa · Música

Fly Anakin e o Streaming

Há alguns dias, o rapper Fly Anakin tomou a decisão de retirar boa parte do seu material das plataformas de streaming e deixá-las somente no Bandcamp. Sua alegação foi a mesma de tantos outros artistas: o pagamento dessas empresas aos cantores e bandas é pífio, se comparado ao que elas recebem.

Tal atitude demonstra muita coragem por parte dele, enfrentando um sistema que cada vez mais toma conta do mercado, direcionando os ouvintes a terem acesso mais fácil ao que o “algoritmo” oferece, ou seja, ao que está na moda ou a quem paga mais para ser divulgado.

Mesmo que seja um golpe quase imperceptível nesse monstro gigante, a atitude de Fly Anakin é louvável. Deixo abaixo o lançamento mais recente do cara, Pixote, EP lançado na última sexta-feira.

Garimpo · Música

Garimpo: Nação Zumbi + The Fall

Faz alguns dias que estou desbravando a discografia de algumas bandas e artistas, focando mais naqueles que têm vários discos lançados, como David Bowie, The Cure, The Fall, e por aí vai. E foi justo com um disco do The Fall que me veio essa grata surpresa.

Estava ouvindo o The Infotainment Scan, disco deles de 1993, quando veio o seguinte verso:

“Exploding trees at night
Over rivers and bridges”

Na hora me liguei. Já havia escutado isso antes, mas em outra música… Claro! “Rios, Pontes e Overdrives”, da Nação Zumbi! Jamais imaginei que houvesse uma conexão entre o Manguebeat e o pós-punk inglês.

Isso só mostra o quanto Chico Science e a Nação estavam muito à frente de seu tempo.

Garimpo · Língua Presa · Música · Quarta Parede

Wilco – How to Fight Loneliness (Ao Vivo no Late Night with Conan O’Brien, 1999)

Em 1999, o Wilco lançou um de seus melhores discos, o Summerteeth. Para divulgá-lo, como de praxe, a banda rodou por alguns programas de TV e claro, passou pelos talk shows mais famosos da época.

No mesmo dia que eles foram ao Late Night with Conan O’Brien, a convidada da noite era ninguém menos que Winona Ryder, mas isso não foi apenas coincidência. A atriz protagonizou o drama Garota, Interrompida e a canção “How To Fight Loneliness” faz parte da trilha sonora do filme. Muito gentil com os caras, foi Winona quem deu as boas-vindas a Jeff Tweedy e cia, com direito a um grande elogio:

“Uma das melhores e mais importantes bandas do século e minha banda favorita.”

Depois dessa, eles não precisavam de mais nada, né?

Garimpo · Música

Garimpo: The Jesus and Mary Chain & Hope Sandoval – Sometimes Always (Ao Vivo Na MTV, 1994)

É sempre bom quando uma banda ou artista coloca alguma entrevista, apresentação, videoclipe ou qualquer outro tipo de material em seu canal registrado do Youtube, pois dá um ar de oficial àquele material.

Em 1994, o The Jesus and Mary Chain lançou o disco Stoned and Dethroned e Hope Sandoval, do Mazzy Star, colabora na canção “Sometimes Always”. No mesmo ano, eles se juntaram no palco para uma performance na MTV.

Ano passado, o parceiro de Hope no Mazzy Star, David Robeck, faleceu de câncer, e como forma de homenageá-lo, o The Jesus and Mary Chain disponibilizou o vídeo da performance citada acima.

Hope Sandoval e os irmãos Reid são a prova de que a apatia/timidez em cima de um palco também rendem ótimas apresentações.

Garimpo · Língua Presa · Música

Garota de Ipanema às Avessas

Difícil lembrar desse vídeo e deixá-lo passar batido: Rogério Skylab apresentando sua clássica “Você É Feia” no Programa do Jô, há sabe-se lá quantos anos atrás.

Melhor ainda é o comentário mais curtido do vídeo, que resume bem a letra declamada por Skylab: “garota de Ipanema às avessas”. Aqui vai um trecho:

“Quer um conselho?
Entra no banheiro,
Fecha bem a porta,
Tampa o basculante
E liga o gás!
É feia pra caralho!”

O trabalho do Rogério Skylab caminha no limite entre o cômico, o tosco e o genial. “Você É Feia” está na terceira categoria.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Gary Lee Conner

Apesar de não ter estourado como várias outras bandas nos anos noventa, o Screaming Trees goza de certo prestígio entre os amantes da música. Pesquisando em fóruns e áreas de comentários, há quem diga que os caras estavam entre as melhores bandas da época. Eu concordo.

Só que boa parte da “fama” deles vai somente para Mark Lanegan e sua voz inconfundível. Porém, ao ouvir os trabalhos solo do “desconhecido” ex-guitarrista e letrista da banda, Gary Lee Conner, fica nítido, ao menos para mim, que ele era a principal força criativa por trás do som do conjunto.

Somente em 2020, Gary Lee Conner lançou dois discos: Revelations In Fuzz e The Opposite of Christimas. Além disso, ele posta vídeos gravados em seu quarto altamente psicodélico, tocando canções de quase todos os discos do Screaming Trees.

E psicodelia é a palavra-chave para definir o som do cara, afinal, suas maiores referências são o rock’n’roll movido a ácido lá dos anos sessenta. Mas o mais interessante é que as canções, de certa forma, lembram sua antiga banda. Se colocasse o Mark Lanegan para cantar suas músicas solo, daria para soltá-las como Screaming Trees e dificilmente alguém notaria a diferença.

Tire a prova por si mesmo e deixe-se adentrar nesse universo viajante.

Garimpo · Língua Presa · Música

Quatro Músicas do R.E.M.

Hoje meu dia inteiro foi regado à R.E.M. Ouvi em sequência quatros discos da banda, e minha admiração por eles só aumentou. Foram eles: Out of Time (1991), Document (1987), Monster (1994) e Automatic For The People (1992).

Já conhecia os álbuns em questão, mas a cada audição, uma música ganha atenção a mais, outra é sentida de outra forma, mais uma vira favorita, e assim vai.

Escolhi uma de cada um deles, claro, fugindo das óbvias mais conhecidas. Mas é bom registrar que mesmo as canções clichês do R.E.M. são espetaculares.

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Garimpo: Mystic Eyes

Foi relançado pela Get Hip Recordings o compacto Little Girl/She’s Gone, da enigmática banda Mystic Eyes, lançado pela primeira vez em 1997. Não achei praticamente nada sobre o conjunto na internet, mas, ao menos, podemos ouvir o que eles deixaram registrado.

O compacto é formado por dois covers de clássicos do rock de garagem sessentista: o primeiro é “Little Girl”, canção do grupo californiano Syndicate of Sound, lançada em 1966. A segunda, “She’s Gone”, é original do The Dovers, de 1965.

As versões do Mystic Eyes não mudam nada em relação às originais, mas vale ouvir a título de curiosidade. Para amantes dos primórdios do rock’n’roll, é um deleite.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Last Victorian Death Squad – LVDS EP

Na maioria das vezes, discos de shoegaze causam sensações estranhas em mim. Gostosas, mas estranhas. Um mix de nostalgia com melancolia, como se à medida que o som passa pelos ouvidos, toda aquela barulheira pudesse ser vista em forma de memórias.

Mas ouvindo o relançamento do primeiro EP do Last Victorian Death Squad, LVDS, pela ótima e já citada gravadora Shore Dive Records, a sensação foi diferente. Não foi uma ode ao passado, e sim uma vista diferente para os próximos dias. Um ânimo a mais, um despertar súbito à la Jack Kerouac sobre o momento atual da vida e o que posso fazer para melhorá-la.

“Alice” honra as “músicas com nome de pessoas” e é uma bela introdução, com guitarras soando seu feedback em alto e bom som, enquanto o vocalista declama seus versos com uma empolgação muito natural.

O que vem em seguida é “Bad Bones” e dadas as devidas proporções, é como se a imposição daquele Oasis do início dos anos 2000 tivesse baixado no Last Victorian Death Squad. A canção é levada em um ritmo menos acelerado, mas ainda barulhento, como deve ser.

As duas faixas que completam o EP, “Acid” e “Devil”, continuam a soltar uma tempestade de cordas nos ouvidos, e como uma boa banda de shoegaze sabe fazer, a bateria continua ali fazendo seu trabalho, na dela, apenas mantendo a corrente e o vocal, também paciente e calmo (na contramão das cordas), vai dizendo o que é preciso colocar para fora.

Aqui eu repito o mesmo comentário que mandei para o pessoal da Shore Dive pelo Instagram: “pelo amor de deus, isso é uma das melhores coisas que ouvi nos últimos meses.

E como gosto de deixar bem claro, digo isso sem exageros.

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Tricky + Mallu Magalhães

Mallu Magalhães teve um início promissor lá no meio dos anos 2000, mas depois que caiu no estigma de “nova MPB”, seus trabalhos ficaram cada vez mais chatos.

Porém, isso não impediu de que o Tricky a convidasse para gravar uma música juntos, em 2015, quando ele veio fazer alguns shows no Brasil. O resultado dessa parceria foi uma nova versão para “Something In The Way”, música do Tricky que compõe seu disco Adrian Thaws, lançado em 2014.

Mesmo não gostando das músicas atuais da Mallu, acho a voz dela linda, e sua versão de “Something In The Way” superou e muito a original. Deixarei as duas abaixo.

Tricky tem um bom dedo para escolher suas parceiras musicais. Já escrevi aqui e aqui sobre algumas delas. Sobre o disco mais novo dele, lançado há poucos meses, você poder ler aqui.