Direto do Forno · Música

Protomartyr e Angel Olsen

É difícil acompanhar as novidades sobre o Protomartyr, porque a única conta oficial dos caras é no Facebook, rede social que não uso há anos.

Mas hoje tive a grata surpresa de receber uma notificação deles pelo Bandcamp, informando a chegada de Formal Growth In The Desert, sexto disco de estúdio da banda, que sairá pela Domino no início de junho de 2023.

O primeiro single deste novo trabalho é justamente a faixa de abertura, “Make Way”, canção que começa lenta e aos poucos vai ganhando força, acompanhada de um videoclipe interessante e enigmático, algo que já é corriqueiro nos lançamentos do conjunto (lembra desse?).

Outro nome forte do cenário atual que divulgou um novo trabalho hoje foi a Angel Olsen.

Mantendo a constância de um lançamento por ano, a artista anunciou o EP Forever Means, contendo quatro faixas gravadas nas sessões de seu último álbum, Big Time (2022), mas que não entraram no disco.

Melancólica e com um vídeo pra lá de nostálgico , “Nothing’s Free” nos dá o primeiro gostinho de Forever Means, que será lançado por completo no dia 14 de abril, pela Jagjaguwar.

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Garimpo · Música

Bardo Pond

O Bardo Pond foi fundado em 1991, mas só no ano passado é que fiquei sabendo de sua existência, graças ao relançamento do debut da banda, Bufo Alvarius (original de 1995), pela Fire Records. Psicodélico, espacial, repetitivo e longo, o disco, hoje, é presença constante nas minhas audições diárias.

Em dez de março deste ano, também pela Fire Records, chegará às lojas Volume 3, um raro compilado de jam sessions da banda, lançado originalmente em 2002, em uma série de oito volumes. É tão raro que nem no Youtube eu encontrei. Outros volumes, como o V e o VI, consegui achar.

O primeiro pedaço oficial do Volume “Lomand”, faixa com dezesseis minutos de feedbacks, distorções e pura improvisação. Uma verdadeira viagem especial.

Direto do Forno · Música

Makalister – FILHOS (Single)

Com certo atraso, ouvi “FILHOS”, último single do Makalister, e mais uma vez fiquei emocionado e com os braços arrepiados. É impossível não se identificar com seus versos, arrancados do âmago de suas entranhas e que tanto refletem no cotidiano de pessoas comuns, que lutam diariamente contra os deveres profissionais, financeiros e contra os demônios do eu.

“As letras são minhas,
as canções são do povo.”

Não apenas suas letras estão amadurecendo, como também os seus vídeos, cada vez mais belos.

Um artista aqui da “cidade que mais cresce no Brasil” postou em seu Twitter que ele “não tanca quem chora lendo livro”. O tal artista se diz rapper. Ao meu ver, rap e literatura andam lado a lado. Pelo visto, a ignorância também ronda nesse meio e vez ou outra, dá as caras.

Deve ser por isso que alguns falam “tanco”, enquanto outros emocionam outros.

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Quatro Projetos Nacionais

Quatro projetos nacionais recentes para ficar atento nos próximos anos:

A ideia do Quebra Asa, da Geração Perdida de MG, é bem interessante: os músicos se reúnem no estúdio e vão construindo um disco do zero, criando as linhas instrumentais aos poucos, improvisando vocais até o resultado final.

O Volume 1 desse projeto foi composto por Fernando Motta, Jonathan Tadeu e Vitor Brauer, os nomes mais fortes do movimento. São canções pesadas e experimentais.

O dozaj é também um trio (Fernando Dotta, Gabriel Arbex e Luccas Villela), mas aqui o som é instrumental. Quando ouvi o primeiro single, “parede alta vista curta”, fiquei encantado, porque não sou muito fã de rock instrumental. Com uma pegada que abrange do Nirvana ao início do post-rock (Slint, Rodan, etc), é um ótimo disco para ser ouvido de cabo a rabo.

Indo para o Rio de Janeiro, conheci o Amefrican Grunges por causa do nome, que achei interessante. Ao ouvir esse EP autointitulado, meus ouvidos entraram em um transe sem fim. São apenas cinco músicas, mas com uma infinidade de influências que, mesmo tão diferentes, casam muito bem. É como se Jimi Hendrix e Robert Johnson baixassem no RJ e tivessem um encontro com a Black Rio e alguns dos medalhões do samba.

Finalizando, o terraplana é para os fãs de shoegaze. Vocais etéreos, camadas e camadas de guitarras e uma bateria marcante. Enquanto o projeto não lança um disco, curta os dois singles já lançados abaixo.

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Sprints – Literary Mind (Single)

Geralmente, não gosto e acho um baita caça-níquel quando bandas ou selos lançam singles cujos lados b são apenas variações da música principal, como remix, remix do remix, faixa editada para o rádio, versão demo, etc. Mas mordi a língua quando dei uma chance para o single “Literary Mind”, da banda irlandesa Sprints.

“Literary Mind” é um pop-punk enérgico e com um refrão grudento, desses que poderiam tocar nas rádios facilmente. A versão ao vivo é ainda mais divertida, e a remix animaria uma festa numa boa.

Sprints é mais uma prova convincente para calar aquele amigo que enche o peito para dizer que não existem bandas boas na atualidade.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Day of the Lords

“Day of the Lords” é a segunda faixa do mítico disco de estreia do Joy Division, Unknown Pleasures, de 1979. Pesada, suja e melancólica, é uma das canções que melhor resumem toda a originalidade do quarteto britânico, que praticamente criou um novo estilo musical.

No início dessa semana, estava colocando algumas audições em dia enquanto organizava o meu quarto “anti-gatos”, quando ouvi um riff conhecido: era um cover de “Day of the Lords” pela banda de stoner/psych rock Jack Harlon & The Dead Crows.

Contextualizando, o conjunto australiano soltou, na semana passada, um disco de versões chamado Hail to the Underground, contendo covers de algumas bandas favoritas do vocalista Tim Coutts-Smith, como Bauhaus, Melvins, My Bloody Valentine, etc., todos com uma pegada mais pesada e psicodélica. Destaco “Day of the Lords” porque manteve a sensação claustrofóbica da original, mas com distorções mais sujas e elementos viajantes, além do vocal rasgado, que difere do barítono de Ian Curtis.

Em 2021, o projeto Saudade, de Chino Moreno, também fez um cover dessa música, com D. Randall Blythe (Lamb of God) nos vocais. Lembro que ouvi bastante na época do lançamento. Veja o videoclipe abaixo.

Direto do Forno · Música

Mais um Retorno dos Satan’s Pilgrims

Os peregrinos de Satã somem, voltam com um disco novo, desaparecem mais uma vez, e assim vai. Dessa vez, reapareceram com Go Action​!​!, novo disco do grupo que completou TRINTA anos de estrada em 2022. Esse é o primeiro lançamento do selo fundado pela banda, o Hi-Tide Recordings.

Go Action!! também é uma forma de homenagear Dave Busacker, membro fundador da banda, que faleceu ano passado de causas naturais.

São quatorze petardos, o suprassumo do surf rock instrumental, com riffs dançantes, velozes e agressivos.

E para completar o ano, os Satan’s Pilgrims também soltaram um compacto pela Get Hip Records, Bayonet Constitution​/​Typhoon, com mais duas canções originais, seguindo a mesma linha que faz dessa banda uma das, se não a melhor representante desse estilo tão gostoso de ouvir.

Garimpo · Música

Três Pérolas da midsummer madness

Estava limpando meus cd’s um dia desses e achei um achado perdido na coleção: o Tributo ao Second Come, lançado pelo selo midsummer madness, em 2012. Feito como forma de homenagear o vocalista da banda carioca, Fábio L., falecido em 2009, o tributo conta com vinte e nove versões feitas pelos mais variados artistas, um trabalho que faz jus à qualidade do Second Come.

Não ouço esse disco completo faz uns bons anos, tanto que acabei esquecendo de algumas músicas que eu gosto bastante e ouvia com frequência, quando meu carro tinha um toca-cd’s.

Uma delas é “The Shower”, cuja versão foi feita pela extinta The Oort Clouds, banda do ex-baixista do Second Come, Francisco Kraus. Digo extinta porque não encontrei informação alguma sobre esse projeto na internet e nas redes sociais. Essa versão, para mim, superou a original, presente no clássico disco homônimo, de 1993. Até no Youtube é difícil encontrar essa versão, mas no Bandcamp e no site da midsummer madness, ela está disponível gratuitamente.

“She Could Melt The Sun” está no segundo disco do Second Come, Superkids, Superdrugs, Supergod and Strangers, lançado em 1994, e a sua versão no disco-tributo também foi feita por um projeto que já não existe mais, o han(S)olo, direto das Minas Gerais, por Leandro F. Rosa, que tocava todos os instrumentos. Para mim, ficou ainda melhor do que a original. Postei um comentário no vídeo abaixo, perguntando se a banda ainda está na ativa, mas não obtive resposta, e imagino que não obterei.

Outra bela coletânea da midsummer madness é a 30 em 3, lançada ano passado em comemoração dos trinta anos do selo. São SETENTA E NOVE músicas de artistas diferentes que passaram pelo catálogo durante todo esse tempo. Dá para conhecer bem a história dessa que é uma das mais importantes gravadoras independentes do Brasil. Uma dessas várias canções me pegou em cheio e, infelizmente, também é de um projeto que parece ter acabado. Ouça abaixo “Fight To Forget”, da Iorigun.

Se você é um aficionado por guitarras altas, barulho, canções tortas e feitas com o coração e na raça, recomendo ouvir as duas coletâneas e garimpar o máximo no catálogo da midsummer madness. O Rodrigo Lariú disponibiliza tudo de graça, seja no Bandcamp ou no site oficial do selo.