Direto do Forno · Música

Placebo – Beautiful James (Single)

São oito anos desde Loud Like Love, o último disco cheio da banda, fora alguns singles aqui e outros ali nesse meio tempo. Mas parece que a espera para o tão aguardado novo álbum do Placebo está acabando. Ontem eles soltaram a inédita “Beautiful James”, primeiro single do próximo trabalho, que ainda não foi anunciado de forma oficial.

Lembrando bons momentos do Sleeping With Ghosts (2003), a nova música de Brian Molko e Stefan Olsdal (é, agora Placebo é uma dupla) surpreendeu de forma favorável.

Eu não esperava que ela fosse tão boa!

Crônicas · Língua Presa · Música

Tjú, tjú

Estávamos os cinco no quarto com a luz apagada, dois sofás, com dois em cada um e eu deitado no chão. Era meio da madrugada e o cansaço falava alto. Uma delas deu a ideia de colocar música e escolheu “Svefn-g-englar”, do Sigur Rós.

Até então, eu só conhecia o Sigur Rós pelo Kveikur, de 2013, mas nada tão aprofundado. Depois dessa madrugada, isso mudou.

Nos dez minutos de duração de “Svefn-g-englar”, um silêncio absoluto. Me soltei de vez no chão e observei. Uma parecia entediada, ou estava apenas cansada, mas seus olhos não fecharam. A que colocou a música, em transe, movimentando os lábios, como se cantasse junto, mesmo que a música seja em islandês. Do lado da entediada, a outra pessoa estava apenas quieta, não parecia prestar atenção. E a que estava do lado de quem escolheu a música, ela deitou e fechou os olhos, sonhando acordada naquele som que mais parecia o ressoar de uma divindade nórdica.

Lendo comentários no Youtube sobre o vídeo abaixo, o mais comum é “essa é a canção que quero em meu funeral”, mas achei um que define bem o que sinto ao ouvir “Svefn-g-englar”. Eu, que não possuo fé alguma, vejo-a como “deus em forma de música”.

Direto do Forno · Música

Kid A Mnesia

Para comemorar as duas décadas de Kid A (2000) e Amnesiac (2001), o Radiohead vai juntar ambos em um projeto só, intitulado KID A MNESIA, previsto para sair em cinco de novembro desse ano.

Ao que parece, será um compilado de material inédito, canções já conhecidas e sobras de estúdio. Para o anúncio desse belo pacote, a banda soltou “If You Say The Word” para audição.

O que mais chama atenção é o seguinte: os caras são tão acima da média, que uma música como “If You Say The Word” é tratada como “sobra de estúdio”, ou “não boa o suficiente para entrar no disco”. E a música é maravilhosa!

Direto do Forno · Música

Gary Lee Conner – Truth Eater (Single)

Quando descobri que o Gary Lee Conner continua na ativa, mesmo como um completo outsider da grande mídia, passei a acompanhar suas viagens psicodélicas mais de perto. Com uma produção considerada extensa para alguém que trabalha sozinho, não é nenhuma surpresa que após dois discos lançados no último ano, o maluco já esteja com outro saindo do forno.

Truth Eater foi divulgado há algumas semanas, bem como sua faixa-título e a possível capa do trabalho. Desculpe a repetição, mas esse som é puro Screaming Trees, reforçando mais ainda que ele era o grande cabeça da banda.

Confira.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Dark Sky Burial

O Dark Sky Burial é o projeto paralelo de Shane Embury, multi-instrumentista e baixista de longa data do Napalm Death. Se nas quatro cordas ele atordoa seus ouvintes na banda de metal extremo, aqui ele é capaz de fazer o mesmo, mas com uma abordagem diferente.

Com uma mistura de música eletrônica e industrial, passeando também pela ambient music, o Dark Sky Burial chega a ser mais acessível que o próprio Napalm Death, apesar de também ser bastante experimental e causar estranhamento aos ouvidos não tão acostumados com barulhos hipnóticos em alguns momentos, e incômodos noutro.

No início do mês saiu Vincit Qui Se Vincit, o terceiro disco do Dark Sky Burial, contendo nove canções. O interessante é ouvi-las em sequência, como se fosse uma única e longa peça instrumental.

Crônicas · Língua Presa · Música

Falando Sobre O Kevin

A mãe do Kevin fez um curso de corte de cabelo e eles me convidaram para ser uma das cobaias. Claro que fui, quase não saía nas noites de meio de semana e seria uma oportunidade para viver algo diferente.

Isso foi em 2004, 2005, por aí.

Queria entender como minha mente resgatou essa lembrança em pleno trânsito infernal das cinco da tarde, naquela loucura de setas, troca de faixas, buzinas, ultrapassagens e tudo mais. Porque não é algo marcante na minha vida, pelo contrário, eu quase nem lembrava mais disso. Até que, de repente, bum!, apareceu.

Minha amizade com o Kevin foi relâmpago. Frequentei muito sua casa para jogar Playstation, sua família me tratava quase que como um parente. Até que ele se mudou para os EUA (como quase todo mundo de Governador Valadares), sem nenhum aviso e perdemos contato por completo.

Como diria Eddie Vedder, “memories, like fingerprints are slowly raising…”.

+Filmes · Direto do Forno · Garimpo · Música

William Basinski – Music for Abandoned Airports: Tegel

Lançado em março de 1978, Ambient 1: Music for Airports, do Brian Eno, é um dos discos de ambient music mais conhecidos e influentes já feitos. Composto por quatro longas peças, ganhou notoriedade com o passar dos anos, sendo literalmente executado até em alguns aeroportos. Ideal para momentos de leitura, pensamento e até mesmo para o silêncio.

Citando Brian Eno de forma direta como inspiração para essa obra, William Basinski resgatou de seus arquivos Music for Abandoned Airports: Tegel, referência clara ao seu precursor.

Com quase vinte minutos de duração, a diferença é que o trabalho de Basinski é levado para um lado mais soturno, não chegando a ser incômodo, mas tomado de melancolia. Seria como contemplar o silêncio em alguma localidade gótica, um castelo, para ser mais exato, passeando ao lado do Conde Drácula e ouvindo os seus lamentos sobre a dor da vida eterna que tanto o assombra (isso no Nosferatu do Werner Herzog).

Music for Abandoned Airports: Tegel foi composta em 1998, mas só saiu do baú no último dia 6.

Direto do Forno · Música

Guided By Voices – My (Limited) Engagement (Single)

Não é brincadeira. O Guided By Voices já anunciou mais um disco. O segundo só em 2021, o quinto desde o ano passado.

It’s Not Them. It Couldn’t Be Them. It Is Them! sairá pela Rockathon Records, do próprio Robert Pollard, em 22 de outubro. O single “My (Limited) Engagement” está disponível para os ouvintes. Ouça.

É isso. Não tenho mais o que acrescentar.

Crônicas · Língua Presa · Música

Proteção

Foi no final de 2011 que tivemos Sky pela primeira vez. A morte recente de meu pai deixou um silêncio ainda maior na casa, e a TV por assinatura caiu muito bem para tirar um pouco o tédio. Conheci Seinfeld, não perdia nenhum episódio (passava de segunda à sexta na Sony) e até hoje é minha comédia favorita de todos os tempos. Também fiquei viciado na PlayTV e seus programas sobre música e videogames.

Em um desses programas, o canal convidava algum artista para apresentar cinco videoclipes de seu agrado, independente do estilo. Um dos convidados foi o Paulão, da Velhas Virgens, e logo de cara ele mandou “Protection”, do Massive Attack. Foi minha porta de entrada ao universo nebuloso do Trip Hop.

Tracey Thorn, do Everything but the Girl, é quem canta. Sua voz é doce, tranquila e melancólica, casando bem com os versos, que a depender de quem interpreta, é sobre relacionamentos, pequenos gestos amorosos e coisas nesse sentido. No instrumental, um simples riff de guitarra é repetido por todos os seis minutos da música, assim como a bateria, fora alguma ou outra virada e alguns efeitos eletrônicos. O videoclipe é um plano-sequência mostrando os integrantes da banda em seus apartamentos fictícios, em momentos que retratam a vida comum. Uma janta, uma conversa, uma brincadeira.

É início de noite da última quarta-feira e “Protection” começa a tocar em meus fones. O pôr-do-sol está do lado contrário, pessoas vêm e vão e lá no final da pista, um casal se abraça. Passei por eles.

“I can’t change the way you feel,
but I could put my arms around you.”

Fiquei pensando se era apenas coincidência.

No domingo, às 5 da manhã, estava voltando de Barreiras, cansado, mas sem sono. Mesmo sendo um trajeto curto, parece que as cidades não chegam nunca, seja na ida ou na volta. E apesar do horário, nada de claro no céu. Na entrada de Luis Eduardo, “Protection” mais uma vez. Repeti a música várias vezes até chegar em casa.

“I stand in front of you,
I’ll take the force of the blow.”

Cheguei em casa, guardei o carro e fui mexer no celular para desligar o som. Olhei para a foto da tela bloqueada por alguns segundos. Eu, com cara emburrada, e minha mãe, talvez com o sorriso mais lindo que já vi, em 1990 alguma coisa.

Proteção. Entendi.

Direto do Forno · Música

Melvins – Night Goat (Acústico) (Single)

Pela primeira vez em quase quarenta anos de estrada, os Melvins lançarão um disco inteiramente acústico. Composto por alguns covers e canções selecionadas de toda a discografia da banda, serão duas horas e meia divididas em 36 músicas. Material para quem realmente é fã.

O primeiro single desse projeto é “Night Goat”, minha música favorita deles, presente no disco Houdini, de 1993. Tem uma versão dela de 1992 lançada em um disco de sete polegadas que é ainda melhor.

Sendo sincero, não me agradou tanto, mas vale pela curiosidade. Five Legged Dog sairá do forno em 15 de outubro desse ano, sempre pela Ipecac.