Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #19: São Everson

Jogos como Atlético-MG x Boca Juniors ontem são os que fazem do futebol o esporte mais apaixonante do planeta.

Na metade do segundo tempo, Everson era o candidato a vilão da eliminação alvinegra, e após o final dos pênaltis, ele é o grande herói da classificação.

Pegou duas cobranças, contou com a sorte em outra e ainda mandou no ângulo a cobrança definitiva, que decretou o fim do mundo argentino.

Já revi o lance umas cem vezes e meus olhos enchem d’água toda vez. É a redenção que nem os melhores escritores poderiam prever.

Que a benção de São Victor do Horto caia sobre Everson, e que daqui uns meses ele também possa ser canonizado.

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Não Ao Futebol Moderno #18: Esse Lisca tá de Brincadeira

Parece que o sucesso e as aparições em programas de TV fizeram o Lisca começar a se achar um pouco além do normal. Agora sempre que o América perde, a culpa não é da incompetência do time, e sim de fatores externos. E com a ajudinha da imprensa, muita gente cai nessas balelas.

Ninguém falou da arbitragem tendenciosa do juiz, que amarelou cinco jogadores do Galo em lances, no mínimo, discutíveis, além do pênalti inexistente que ele marcou. Sorte nossa que o Rodolfo mandou no travessão e perdeu a ÚNICA chance de gol que o América teve.

Sim, ÚNICA! Porque nos dois jogos da final, os lances de real perigo foram todos do Atlético. Ontem mesmo o Cavichioli fez duas defesas muito difíceis, dessas que mesmo assistindo, é difícil acreditar.

Então seria bom o Lisca baixar um pouco a bola dele, começar a ver os próprios defeitos da sua equipe e parar de inventar desculpas toda vez que forem incompetentes.

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Não Ao Futebol Moderno #17: A Tal da “Superliga da Europa”

Não vou entrar em detalhes sobre o “clubinho da soberba” que resolveu criar uma liga própria lá na Europa, pois existem matérias suficientes que explicam essa patacoada. Mas acho, no mínimo, engraçado que o seleto grupo dos chamados “doze grandes” daquele continente tenham o Manchester City, Arsenal, Tottenham e o Atlético de Madrid, quatro times que jamais venceram a Champions League, sendo que um deles só “cresceu” graças à injeção de grana estrangeira.

Uma rápida pesquisa na internet e podemos encontrar:

Borussia Dortmund – Campeão em 1997;
Ajax – Campeão em 1971, 1972, 1973 e 1995;
Porto – Campeão em 1987 e 2004;
Benfica – Campeão em 1961 e 1962
Olympique de Marselha – Campeão em 1993;

E por aí vai. A lista é enorme, até o Estrela Vermelha, um tradicional clube sérvio, já levou esse troféu. Tudo bem que alguns clubes perderam a relevância e a força com o passar dos anos, mas tradição não se apaga. Esses magnatas intrusos do futebol atual precisam entender que esse esporte não nasceu na última década.

Espero que esse torneio fajuto jamais venha a se tornar real.

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Não Ao Futebol Moderno #16: A Camisa Pesa

Por mais que o dinheiro mande e desmande com proporções ainda maiores a cada ano que passa, a camisa ainda tem muito peso em um jogo de futebol.

O Manchester City está voando nessa temporada e até a partida de ontem, a equipe do Guardiola vinha de vinte e oito jogos de invencibilidade, passando o trator em todo mundo e com direito até a um 1×4 no Liverpool em pleno Anfield. Mas foi só pegar seu maior rival, o Manchester United, que a casa caiu.

Em pleno Etihad Stadium, o United travou os Citizens e venceu por 0x2, sendo que poderia ter feito mais.

Essa é a magia do futebol. Tradição, de vez em quando, ganha jogo.

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Não Ao Futebol Moderno #15: Jogo de Churrasco

Foi perfeita a colocação do comentarista do SPORTV durante a transmissão de Juventude x Figueirense na última sexta-feira, dia22:

“Isso tá parecendo um jogo de churrasco.”

Nos últimos 15 minutos de jogo, aconteceu de tudo:

  1. O Figueirense abriu um 0x1 com um gol MUITO irregular, onde a bola saiu E MUITO na linha de fundo e mesmo assim o cara cruzou na cabeça do seu companheiro, que mandou pra dentro. O bandeirinha não viu que a bola havia saído, e claro que o pessoal do Juventude só faltou quebrar ele no pau;
  2. O gol de empate do Juventude saiu de um chutão pra frente e a bola ficou mamão com açúcar pro goleiro catar… Mas ele se enganou com o tempo dela e foi encoberto, deixando o gol vazio para o atacante só empurrar.
  3. A virada veio praticamente no último lance e em mais uma falha horrorosa do goleiro do Figueira, pois o atacante cabeceou fraco e em cima dele, e mesmo assim a bola passou.

Como o 0x0 não servia para nenhum dos times, o jogo virou uma verdadeira pelada. Esquemas táticos foram deixados de lado, zagueiros viraram atacantes, rolou um festival de passes errados, chutes terríveis, as equipes não conseguiam trocar nem dois passes direito, mas mesmo assim, foi uma diversão e tanto.

Melhor para o Juventude, que após essa pelada de churrasco, ainda sonha com o acesso pra Série A. E o Figueirense, coitado, que escapou no ano retrasado, não pode dizer o mesmo da temporada 2021. Eles jogarão a Série C. O Makalister deve estar muito puto com vocês.

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Não Ao Futebol Moderno #14: Choque Térmico

Durante o dia, jogos frios, sonolentos e irritantes, daqueles que até os narradores não conseguem disfarçar o tédio. À noite, no último jogo da rodada, duas equipes querendo jogar futebol, com marcação alta e ataque o tempo todo, onde uma delas é predominante.

Assistir o Galo passar o trator por cima do Vasco e, em seguida, lembrar dos jogos do Palmeiras, Corinthians e afins, é como levar um choque térmico. E fica difícil recuperar depois.

Sampaoli faz um mal necessário ao futebol brasileiro, mas os “jênios” daqui insistem em esbravejar que somos o país do futebol e não precisamos inovar em nada. Há quem ousa menosprezar seus feitos, que vêm desde a última temporada. Vai entender.

Enfim, pela milésima vez, 1×7 foi pouco, mas muito pouco.

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Não Ao Futebol Moderno #13: Grande Otero e a Imprensa

Tá quase fechado o negócio entre o Galo e o Corinthians envolvendo o meio-campista venezuelano Otero, que ficou sem espaço no clube mineiro após a chegada do Sampaoli.

A imprensa está a todo vapor com tal transação, com muitos jornalistas afirmando como o Corinthians está fazendo um excelente negócio e que o Otero vai chegar pra ser titular. Calma, pessoal, ele não é tudo isso.

Eu sou atleticano e vejo os jogos, e afirmo: Otero não é tudo isso que aparece nos highlights. Nem de longe.

Ele bate falta bem? Sim, demais, é um exímio cobrador, mas são dez cobranças para um gol, praticamente. Mais nada. Não dribla, não cria uma jogada. Ele tem raça, vontade, corre demais durante o jogo, mas não é o suficiente para esse endeusamento todo.

Para mim, as opiniões desses “especialistas” só provam o quanto esses caras são mal informados e se baseiam em vídeos de “melhores momentos” para justificar seus argumentos.

Deixa o Otero chegar lá e vocês verão. A corneta vai soar sem parar nas primeiras partidas em que o encanto desaparecer.

Língua Presa · Música · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #12: Bring It On Down

Futebol e música andam de mãos dadas tem um bom tempo. Canções de torcida, hinos, músicas na cultura pop (tem aquela do Skank, tem a do Fio Maravilha, etc.), enfim, o que não faltam são exemplos de como essas duas paixões se unem.

Tem um caso que gosto bastante, que é o fanatismo dos irmãos Gallagher pelo Manchester City. Pode-se dizer que ali são torcedores raiz mesmo, daqueles que apoiam o clube em qualquer momento e que odeiam com todas as forças o maior rival.

Tava assistindo hoje Manchester City x Real Madrid pela Champions League e como os jogos estão ocorrendo de portões fechados, dá pra ouvir quase tudo que se fala em campo. Durante o intervalo da partida, deu pra ouvir que nos alto-falantes do Etihad Stadium tava tocando “Bring It On Down”, uma das músicas mais rock’n’roll do Oasis, presente no Definitely Maybe, de 1994.

Não dá pra afirmar que isso afetou em algo, mas o City venceu por 2×1 e avançou de fase. E para mim, é um dos candidatos mais fortes ao título, apesar de não gostar nem um pouco dele e da outra modinha chamada PSG, também um forte candidato.

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Não Ao Futebol Moderno #11: Garrincha no Vox Populi

Considero-me um cara ainda jovem, com vinte e sete anos recém completados. Comecei a acompanhar futebol para valer, com lembranças, torcida e tudo mais, em 2006, ano em que o Atlético Mineiro disputou a Série B. O que era para ser motivo de vergonha para muitos, foi a comprovação de uma lealdade e a firmação daquilo que acredito ser atleticano. E tenho certeza que muitos sentem o mesmo.

De 2006 pra cá, vi times encantadores. Vi o Barcelona de 2009, que ganhou TUDO que disputou, a Espanha bi-campeã européia e campeã mundial, o Galo de 13/14, enfim, são alguns exemplos. Tiveram muitos outros, claro. Sem falar no privilégio em presenciar o auge de dois dos maiores jogadores de todos os tempos, Messi e Cristiano Ronaldo.

Apesar de ser novo, minha alma pertence a épocas passadas. Tenho uma paixão inexplicável pelas décadas que não vivi, principalmente quando o assunto é futebol. Entro em devaneios quando imagino aquele futebol cascudo, truncado, times tão bem falados ainda nos dias atuais, como o Flamengo do Zico, o Atlético de Reinaldo, a Seleção Brasileira de 1970, Santos e Botafogo dos anos sessenta, e por aí vai. E um dos meus personagens favoritos desse tempo é o Garrincha, pelas jogadas inovadoras para a época. Os cortes secos, muitas vezes repetitivos, mas que os marcadores sempre caíam. E claro, sua estrela em duas Copas do Mundo.

Vi há poucos dias uma entrevista do Mané no programa Vox Populi, na TV Cultura, de 1978, salvo engano. A qualidade é de um nível que não se vê em entrevistas de jogadores nos dias atuais. Garrincha responde questionamentos variados, que vão de sua carreira a assuntos mais delicados, como situação financeira, vícios e separações. E o melhor de tudo, com exceção de uma ou outra pergunta que ele rodeia, o cara não nega a chance de resposta.

Pegue qualquer jogador brasileiro de hoje e imagine uma entrevista com ele. Os assuntos provavelmente seriam bens materiais, mulheres, idiotices de rede social e só ladeira abaixo. E as respostas? Bem, se houvesse alguma, todas passariam pelo exame do assessor antes. Uma lástima. Chega a dar tristeza perceber como nosso nível caiu tanto, dentro e fora do campo.

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Não Ao Futebol Moderno #10: Exageros da Imprensa

Sabemos que a mídia tem um papel cada vez mais forte na formação de opinião das pessoas em geral, e na imprensa esportiva não é diferente. O uso de títulos sensacionalistas para assuntos tão rasos são cada vez mais frequentes, o que diminui (e muito) a qualidade das notícias.

E não é só isso.

Tem sempre um jogador queridinho que é elogiado mesmo com atuações pífias, o clube do momento (PSG, Manchester City, etc) sempre colocado como grande potência mundial, mas que tradição mesmo é quase nenhuma, as famosas carimbadas de “sábios”  comentaristas donos da verdade (alguém lembra de colocarem o Palmeiras como o campeão nacional já no início do Brasileirão?) e muitas outras observações equivocadas.

A que chamou minha atenção nos últimos meses é a falácia do “golaço” de letra ou de calcanhar, que ganha manchetes em todo Brasil sempre que acontece tal episódio. Com o gol do Nenê ontem no FlaxFlu então, as proporções foram ainda maiores.

Reduziram a expressão golaço para qualquer gol nesse estilo que citei. O do clássico de ontem, por exemplo, a bola foi mascada e chorando até o fundo do gol, e a imprensa tratou o feito como um digno candidato ao Prêmio Puskas.

Convenhamos, golaço de letra ou de calcanhar foi o que Suárez fez contra o Mallorca, por exemplo, ou alguns que Ibrahimovic marcou em passagens pelo PSG e LA Galaxy, e não qualquer empurrada para o fundo da rede com o goleiro já batido ou até com o gol vazio.

Se transformarmos o golaço, aquele momento em que deixa qualquer amante do futebol boquiaberto, para gols tão simples e feios plasticamente, será mais um brilho prestes a ser apagado nesse esporte tão admirado em todo o planeta.