Direto do Forno · Música

Mais Algumas Novidades

Nas últimas semanas, diversos artistas lançaram novos materiais e por motivo de preguiça, adiei e acumulei várias dessas audições. Por isso, vou juntar um pouco do que ouvi de bom aqui nesse texto.

Começo com esse petardo de quase treze minutos do All Them Witches, “Slow City”. A banda fez uma versão hipnotizante dessa música que, originalmente, é do conjunto finlandês Pharaoh Overlord. Acompanhada de um vídeo bem psicodélico, “Slow City” é a quarta fatia do novo projeto do grupo, que planeja lançar uma música por mês até formar um disco completo ao final do ano.

O Slowly é o projeto de shoegaze/dream pop de um canadense multi-instrumentista chamado Charlie, assim mesmo, sem sobrenome. Ouvi seu disco de 2019, Reveal, achei muito interessante e passei a acompanhar mais de perto os seus trabalhos.

“Death of Me” é o primeiro single de Distance, seu próximo disco, que chegará por completo em 15 de julho pelo selo Lossleader Records. Para quem gosta de shoegaze, post-rock, músicas hipnóticas e melancólicas, vale a pena garimpar os outros projetos desse rapaz.

Em seguida, trago mais uma ótima música da Angel Olsen. “Big Time” é o segundo single seu próximo disco e a sensação que tenho é que essa mulher não erra nunca. Como eu adoro a voz dela.

A canção vem acompanhada de mais um videoclipe muito bem produzido.

Por último, meu deus, não sei porque ainda me surpreendo, mas é mais um disco anunciado pelo Guided By Voices. Só que dessa vez fui atingido em cheio, porque “Unproductive Funk” é a melhor música deles que ouço em muito tempo.

Tremblers And Goggles By Rank vai sair dia primeiro de julho e já tem quatro músicas disponíveis: “Alex Bell”, “Focus On The Flock”, “Who Wants To Go Hunting” e “Unproductive Funk”. Vou deixar abaixo só a última, porque é a que mais gostei.

Direto do Forno · Música

+2 do Just Mustard

Saiu há alguns meses “I Am You”, o primeiro single do próximo disco do Just Mustard, e escrevi sobre ele com bastante empolgação.

Mais duas canções saíram de lá pra cá. “Still” foi lançada no final de fevereiro e hoje veio “Mirrors”. A empolgação continua a mesma.

Porque ambas mantém aquele pique pós-punk/shoegaze claustrofóbico de antes, ao mesmo tempo que possuem um ar mais sublime em seu instrumental, muito por conta da doce voz de Katie Ball.

Heart Under é o nome do álbum e chegará em 27 de maio desse ano, pela Partisan Records.

Garimpo · Música

Garimpo: Margaritas Podridas

O nome me interessou assim que bati o olho. Julguei ser uma banda de punk, daquelas bem podres mesmo. Quando ouvi, fui surpreendido.

A Margaritas Podridas é uma banda mexicana formada em 2015, e faz um som que passeia entre o grunge e o shoegaze. É incrível como ela vai de um som mais etéreo, sublime, cheio de camadas, para algo mais sujo e gritado logo em seguida.

Essa apresentação abaixo é do mês passado, na cultuada rádio de Seattle KEXP. O quarteto se entrega, colocando tudo para fora, com direito até a cordas arrebentadas após uma barulheira sem igual.

Mais um conjunto atual para acompanhar de perto e para citar quando alguém soltar aquela velha frase: “não se faz músicas boas hoje em dia”.

Direto do Forno · Música

Just Mustard – I Am You (Single)

Como é prazeroso, nos dias de hoje, com lançamentos saindo a todo instante, ouvir uma música que realmente te prenda e fique por horas e até dias rodeando sua cabeça.

Foi o caso de “I Am You”, novo single da Just Mustard, banda irlandesa cujo som passeia entre o pós-punk, o shoegaze e até pela música eletrônica.

Tudo bem que o baixo e a bateria dão o ritmo da canção, começando de forma lenta e crescendo de forma considerável com o passar do tempo, junto com a barulheira deliciosa da guitarra. Mas é o grande charme de todos esse caos é a voz hipnótica de Katie Ball, que até na parte mais “furiosa”, não perde a delicadeza.

Não há informações sobre um novo disco até o momento.

Direto do Forno · Garimpo · Música

O Novo do Malcontent: Agressive (Early Demos)

No início do mês passado, Sérgio Costa disponibilizou no Bandcamp esse compilado de demos, intitulado Agressive. Nem sei se dá para chamar de “o novo” do Malcontent, mas não deixa de ser uma novidade.

Passeando por momentos que podem ser de “bate-cabeça” ou até mesmo dançantes, são seis faixas não-trabalhadas que dão uma boa noção de como é o som do Malcontent, apresentando influências que vão do alternativo americano (Pixies, Sonic Youth), do industrial até o Britpop (diga se não tem uma pitada de Charlatans em “Sugar Kiss”?) e o shoegaze.

Na última faixa, “Taste of Sorrow”, quando parece que o ouvinte terá um momento mais calmo, uma guitarra cheia de feedback entra ao fundo da sessão acústica e se mantém assim até o final. Essa seria a melhor junção de referências do Malcontent.

Agressive é uma boa porta de entrada para se aprofundar na discografia do grupo português.

1. aggressive
2. it’s all in your mind
3. sugar kiss
4. scream dream

5. going nowhere
6. the taste of sorrow

Garimpo · Língua Presa · Música

“Aí Mata Nois, Hein?”

Assim respondeu meu amigo Leonardo, após eu mandar para ele “Here To Go”, minha música favorita do Idaho.

O Idaho foi fundado em 1992 e continua na ativa até hoje. Inclusive, mandei uma mensagem para Jeff Martin, co-fundador, no Instagram ano passado, parabenizando-o pela longevidade do projeto, mesmo à margem da grande mídia, e como isso era uma inspiração para mim.

Escrevi um pouco sobre a história do Idaho aqui.

Ouça “Here To Go”:

Direto do Forno · Música

Deafheaven – The Gnashing (Single)

Enquanto os “fãs” continuam dando chilique pela mudança de sonoridade do Deafheaven, sigo empolgado com o lançamento de Infinite Granite, o próximo disco deles, que sairá pela Sargent House mês que vem.

E se eu ainda estava na dúvida se “Great Mass of Color” era apenas um ponto fora da curva, parece mesmo que esse novo trabalho tomará um rumo mais diferente. “The Gnashing” saiu ontem e segue a mesma tendência do single anterior, com guitarras barulhentas abafando o vocal, que antes era gritado e agora é mais delicado, criando uma atmosfera melancólica e psicodélica.

Não gosto de expectativas, mas é um dos lançamentos que mais aguardo para os próximos meses.

Direto do Forno · Música

Deafheaven – Great Mass of Color (Single)

Muito fãs viraram o pescoço contra “Great Mass of Color”, primeiro single do próximo disco do Deafheaven, Infinite Granite, reclamando que sentiam falta dos gritos e berros do vocalista George Clarke. Tudo bem que foi a mistura de shoegaze com black metal que tornou a banda conhecida, mas é bom ver um grupo arriscando novos ares durante sua carreira.

A questão é que nem dá para saber se é o álbum inteiro que tomará esse rumo mais “etéreo”, pendendo para o dream pop. O que importa é que “Great Mass of Color” é uma ótima música, como uma mistura de The Smiths com space rock que chega a ser emocionante. Para os amantes dos gritos, ao final tem alguns, mas um pouco abafados, mas não menos capazes de provocar arrepios.

Infinite Granite sairá em 20 de agosto pelo selo Sargent House.

Garimpo · Música

Garimpo: The Jesus and Mary Chain & Hope Sandoval – Sometimes Always (Ao Vivo Na MTV, 1994)

É sempre bom quando uma banda ou artista coloca alguma entrevista, apresentação, videoclipe ou qualquer outro tipo de material em seu canal registrado do Youtube, pois dá um ar de oficial àquele material.

Em 1994, o The Jesus and Mary Chain lançou o disco Stoned and Dethroned e Hope Sandoval, do Mazzy Star, colabora na canção “Sometimes Always”. No mesmo ano, eles se juntaram no palco para uma performance na MTV.

Ano passado, o parceiro de Hope no Mazzy Star, David Robeck, faleceu de câncer, e como forma de homenageá-lo, o The Jesus and Mary Chain disponibilizou o vídeo da performance citada acima.

Hope Sandoval e os irmãos Reid são a prova de que a apatia/timidez em cima de um palco também rendem ótimas apresentações.

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Garimpo: Last Victorian Death Squad – LVDS EP

Na maioria das vezes, discos de shoegaze causam sensações estranhas em mim. Gostosas, mas estranhas. Um mix de nostalgia com melancolia, como se à medida que o som passa pelos ouvidos, toda aquela barulheira pudesse ser vista em forma de memórias.

Mas ouvindo o relançamento do primeiro EP do Last Victorian Death Squad, LVDS, pela ótima e já citada gravadora Shore Dive Records, a sensação foi diferente. Não foi uma ode ao passado, e sim uma vista diferente para os próximos dias. Um ânimo a mais, um despertar súbito à la Jack Kerouac sobre o momento atual da vida e o que posso fazer para melhorá-la.

“Alice” honra as “músicas com nome de pessoas” e é uma bela introdução, com guitarras soando seu feedback em alto e bom som, enquanto o vocalista declama seus versos com uma empolgação muito natural.

O que vem em seguida é “Bad Bones” e dadas as devidas proporções, é como se a imposição daquele Oasis do início dos anos 2000 tivesse baixado no Last Victorian Death Squad. A canção é levada em um ritmo menos acelerado, mas ainda barulhento, como deve ser.

As duas faixas que completam o EP, “Acid” e “Devil”, continuam a soltar uma tempestade de cordas nos ouvidos, e como uma boa banda de shoegaze sabe fazer, a bateria continua ali fazendo seu trabalho, na dela, apenas mantendo a corrente e o vocal, também paciente e calmo (na contramão das cordas), vai dizendo o que é preciso colocar para fora.

Aqui eu repito o mesmo comentário que mandei para o pessoal da Shore Dive pelo Instagram: “pelo amor de deus, isso é uma das melhores coisas que ouvi nos últimos meses.

E como gosto de deixar bem claro, digo isso sem exageros.