Garimpo · Música

Garimpo: Margaritas Podridas

O nome me interessou assim que bati o olho. Julguei ser uma banda de punk, daquelas bem podres mesmo. Quando ouvi, fui surpreendido.

A Margaritas Podridas é uma banda mexicana formada em 2015, e faz um som que passeia entre o grunge e o shoegaze. É incrível como ela vai de um som mais etéreo, sublime, cheio de camadas, para algo mais sujo e gritado logo em seguida.

Essa apresentação abaixo é do mês passado, na cultuada rádio de Seattle KEXP. O quarteto se entrega, colocando tudo para fora, com direito até a cordas arrebentadas após uma barulheira sem igual.

Mais um conjunto atual para acompanhar de perto e para citar quando alguém soltar aquela velha frase: “não se faz músicas boas hoje em dia”.

Direto do Forno · Música

Come – Dead Molly/Clockface (Single)

O Come é uma banda norte-americana formada em 1990, cujo som é uma barulheira daquelas gostosas de ouvir.

Com apenas quatro discos de estúdio em sua trajetória, foi anunciado recentemente o lançamento de mais um álbum, dessa vez ao vivo, intitulado Peels Sessions, trazendo duas sessões de gravações da banda com o renomado DJ John Peel nos anos de 1992 e 1993. Até o momento, duas faixas desse projeto já estão disponíveis.

“Dead Molly” mal começa e o ouvinte já fica atordoado com o volume da guitarra, suja aos montes e com a voz desleixada de Chris Brokaw totalmente fora de controle. A outra faixa é “Clockface”, em uma versão inédita ao vivo de 1991, poderosa e barulhenta, cheia de ruídos e gritos raivosos, com um andamento que lembra bastante bandas de slowcore, como o Codeine (Chris Brokaw também fez parte dela).

Peel Sessions sai por completo em 25 de fevereiro do próximo ano, pelo selo britânico Fire Records.

Direto do Forno · Música

Just Mustard – I Am You (Single)

Como é prazeroso, nos dias de hoje, com lançamentos saindo a todo instante, ouvir uma música que realmente te prenda e fique por horas e até dias rodeando sua cabeça.

Foi o caso de “I Am You”, novo single da Just Mustard, banda irlandesa cujo som passeia entre o pós-punk, o shoegaze e até pela música eletrônica.

Tudo bem que o baixo e a bateria dão o ritmo da canção, começando de forma lenta e crescendo de forma considerável com o passar do tempo, junto com a barulheira deliciosa da guitarra. Mas é o grande charme de todos esse caos é a voz hipnótica de Katie Ball, que até na parte mais “furiosa”, não perde a delicadeza.

Não há informações sobre um novo disco até o momento.

Direto do Forno · Garimpo · Música

O Novo do Malcontent: Agressive (Early Demos)

No início do mês passado, Sérgio Costa disponibilizou no Bandcamp esse compilado de demos, intitulado Agressive. Nem sei se dá para chamar de “o novo” do Malcontent, mas não deixa de ser uma novidade.

Passeando por momentos que podem ser de “bate-cabeça” ou até mesmo dançantes, são seis faixas não-trabalhadas que dão uma boa noção de como é o som do Malcontent, apresentando influências que vão do alternativo americano (Pixies, Sonic Youth), do industrial até o Britpop (diga se não tem uma pitada de Charlatans em “Sugar Kiss”?) e o shoegaze.

Na última faixa, “Taste of Sorrow”, quando parece que o ouvinte terá um momento mais calmo, uma guitarra cheia de feedback entra ao fundo da sessão acústica e se mantém assim até o final. Essa seria a melhor junção de referências do Malcontent.

Agressive é uma boa porta de entrada para se aprofundar na discografia do grupo português.

1. aggressive
2. it’s all in your mind
3. sugar kiss
4. scream dream

5. going nowhere
6. the taste of sorrow

Direto do Forno · Música

Melvins – Night Goat (Acústico) (Single)

Pela primeira vez em quase quarenta anos de estrada, os Melvins lançarão um disco inteiramente acústico. Composto por alguns covers e canções selecionadas de toda a discografia da banda, serão duas horas e meia divididas em 36 músicas. Material para quem realmente é fã.

O primeiro single desse projeto é “Night Goat”, minha música favorita deles, presente no disco Houdini, de 1993. Tem uma versão dela de 1992 lançada em um disco de sete polegadas que é ainda melhor.

Sendo sincero, não me agradou tanto, mas vale pela curiosidade. Five Legged Dog sairá do forno em 15 de outubro desse ano, sempre pela Ipecac.

Crônicas · Garimpo · Língua Presa · Música

Os Sinos Dobram Para o Einstürzende Neubauten

As corridas/caminhadas de fim de tarde sempre rendem algum tema para escrever. São momentos onde a cabeça passeia com o movimento dos carros, pessoas, as paisagens e tudo mais que aparece pelo caminho. E claro, com as músicas que ouço.

Ontem, exatamente às 18 horas, passei em frente à igreja do Jardim Paraíso e o sino começou a badalar. Ao mesmo tempo, tocava no celular “Feurio!”, uma música do grupo alemão Einstürzende Neubauten, conhecido pelo seu som altamente experimental, cheio de barulhos, metais, instrumentos próprios e tudo mais que você imaginar.

“Feurio!” é uma canção barulhenta e os badalos do sino começaram, acredite, a acompanhar o que tocava em meus ouvidos. Mais ou menos com um minuto e meio, a voz do Blixa Bargeld ganha um volume mais alto e ecoado, e foi entre cada eco desses que os badalos apareceram e causaram um temor ainda maior na experiência.

Será difícil repetir, talvez até impossível, mas se ouvir essa música, tente imaginar. É uma loucura.

Garimpo · Música

Garimpo: The Jesus and Mary Chain & Hope Sandoval – Sometimes Always (Ao Vivo Na MTV, 1994)

É sempre bom quando uma banda ou artista coloca alguma entrevista, apresentação, videoclipe ou qualquer outro tipo de material em seu canal registrado do Youtube, pois dá um ar de oficial àquele material.

Em 1994, o The Jesus and Mary Chain lançou o disco Stoned and Dethroned e Hope Sandoval, do Mazzy Star, colabora na canção “Sometimes Always”. No mesmo ano, eles se juntaram no palco para uma performance na MTV.

Ano passado, o parceiro de Hope no Mazzy Star, David Robeck, faleceu de câncer, e como forma de homenageá-lo, o The Jesus and Mary Chain disponibilizou o vídeo da performance citada acima.

Hope Sandoval e os irmãos Reid são a prova de que a apatia/timidez em cima de um palco também rendem ótimas apresentações.

Direto do Forno · Música

black midi – John L (Single)

Foi por acaso que conheci o black midi há poucos dias, pelo Instagram da Balaclava Records. Gostei do anúncio empolgado deles a respeito do novo disco do conjunto inglês, intitulado Cavalcade e previsto para o dia 28 de maio desse ano, via Rough Trade Records.

Descobri que a banda é queridinha da crítica musical (argh!) e que o debut deles, Schlagenheim, foi um dos selecionados a receber o Mercury Prize de 2019. Ouvi esse álbum durante uma caminhada e o som deles é mesmo muito bom. Gosto dessa barulheira experimental, onde cada momento do disco parece ter sido calculado da forma mais precisa.

Voltando ao Cavalcade, a faixa de abertura, “John L”, foi a escolhida para sua divulgação, acompanhada por um videoclipe, no mínimo, curioso.

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Garimpo: Last Victorian Death Squad – LVDS EP

Na maioria das vezes, discos de shoegaze causam sensações estranhas em mim. Gostosas, mas estranhas. Um mix de nostalgia com melancolia, como se à medida que o som passa pelos ouvidos, toda aquela barulheira pudesse ser vista em forma de memórias.

Mas ouvindo o relançamento do primeiro EP do Last Victorian Death Squad, LVDS, pela ótima e já citada gravadora Shore Dive Records, a sensação foi diferente. Não foi uma ode ao passado, e sim uma vista diferente para os próximos dias. Um ânimo a mais, um despertar súbito à la Jack Kerouac sobre o momento atual da vida e o que posso fazer para melhorá-la.

“Alice” honra as “músicas com nome de pessoas” e é uma bela introdução, com guitarras soando seu feedback em alto e bom som, enquanto o vocalista declama seus versos com uma empolgação muito natural.

O que vem em seguida é “Bad Bones” e dadas as devidas proporções, é como se a imposição daquele Oasis do início dos anos 2000 tivesse baixado no Last Victorian Death Squad. A canção é levada em um ritmo menos acelerado, mas ainda barulhento, como deve ser.

As duas faixas que completam o EP, “Acid” e “Devil”, continuam a soltar uma tempestade de cordas nos ouvidos, e como uma boa banda de shoegaze sabe fazer, a bateria continua ali fazendo seu trabalho, na dela, apenas mantendo a corrente e o vocal, também paciente e calmo (na contramão das cordas), vai dizendo o que é preciso colocar para fora.

Aqui eu repito o mesmo comentário que mandei para o pessoal da Shore Dive pelo Instagram: “pelo amor de deus, isso é uma das melhores coisas que ouvi nos últimos meses.

E como gosto de deixar bem claro, digo isso sem exageros.

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Garimpo: Malcontet – Rest In Noise

Para deixar nossos dias de distanciamento social injetados com boa música, esse garimpo é daqueles que merecem ser ouvidos com o volume alto. O Malcontent faz um noise rock de qualidade, colocando muito do shoegaze e do pós-punk num liquidificador e criando um som moderno, pesado e barulhento, no bom sentido.

Rest In Noise é um álbum ao vivo lançado há quatro dias em sua página no Bandcamp, referente a um show realizado na cidade de Porto, em Portugal, em dezembro de 2018.

O áudio está impecável, limpo e bem editado, mostrando toda a força da banda quando sobe em um palco.

À efeito de créditos, o Malcontent foi a segunda banda portuguesa de noise rock que conheci no Floga-se. A outra é o The Melancholic Youth of Jesus, que já escrevi sobre aqui algumas vezes.

Começar o dia com Rest In Noise ecoando pela casa é como recompor o gás para o restante da rotina. Caiu por aqui em um momento essencial.