Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #23: Supercampeão do Brasil

Tudo bem que a Supercopa do Brasil foi mais um título simbólico (e um caça-níquel também), para confirmar o bom momento, do que uma honraria. Afinal, já havíamos conquistado os dois maiores torneios nacionais na última temporada.

Mas a partida serviu para canonizar também o Everson, agora sim mais um presente no panteão de maiores goleiros de nossa história. E claro, Hulk, mostrando como um verdadeiro capitão se porta em campo. Com coragem para assumir uma responsabilidade, e não com a vaidade de querer ser a estrela (agora a imprensa confunde pipoca com vaidade). Para muitos, Hulk é o nosso maior ídolo pós-Reinaldo. Tem quem ache ele até o maior. Não discuto. A bagagem dele já o permite figurar nessa lista.

O adversário foi mais um convidado do que um verdadeiro merecedor. Mas era o Flamengo. E digo sem medo: foi muito bom levantar mais um troféu, mas gostoso mesmo foi ganhar deles.

Fiquei vinte e oito anos esperando para ver o Galo ser campeão brasileiro. Teve gente que ficou cinquenta. Teve gente que ficou quarenta. Teve gente que se foi durante esse caminho. Por isso, nas conquistas mais recentes, a primeira pessoa que veio em minha cabeça foi meu pai, que viu em 1971, mas não no ano passado. Agora já posso morrer em paz também.

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Não Ao Futebol Moderno #15: Jogo de Churrasco

Foi perfeita a colocação do comentarista do SPORTV durante a transmissão de Juventude x Figueirense na última sexta-feira, dia 22:

“Isso tá parecendo um jogo de churrasco.”

Nos últimos 15 minutos de jogo, aconteceu de tudo:

  1. O Figueirense abriu um 0x1 com um gol MUITO irregular, onde a bola saiu E MUITO na linha de fundo e mesmo assim o cara cruzou na cabeça do seu companheiro, que mandou pra dentro. O bandeirinha não viu que a bola havia saído, e claro que o pessoal do Juventude só faltou quebrar ele no pau;
  2. O gol de empate do Juventude saiu de um chutão pra frente e a bola ficou mamão com açúcar pro goleiro catar… Mas ele se enganou com o tempo dela e foi encoberto, deixando o gol vazio para o atacante só empurrar.
  3. A virada veio praticamente no último lance e em mais uma falha horrorosa do goleiro do Figueira, pois o atacante cabeceou fraco e em cima dele, e mesmo assim a bola passou.

Como o 0x0 não servia para nenhum dos times, o jogo virou uma verdadeira pelada. Esquemas táticos foram deixados de lado, zagueiros viraram atacantes, rolou um festival de passes errados, chutes terríveis, as equipes não conseguiam trocar nem dois passes direito, mas mesmo assim, foi uma diversão e tanto.

Melhor para o Juventude, que após essa pelada de churrasco, ainda sonha com o acesso pra Série A. E o Figueirense, coitado, que escapou no ano retrasado, não pode dizer o mesmo da temporada 2021. Eles jogarão a Série C. O Makalister deve estar muito puto com vocês.

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Não Ao Futebol Moderno #04: Soberba

Demos mole“. Assim, de forma resumida, foi a explicação de Renato Gaúcho para a virada que seu time levou EM CASA para o Fluminense, após abrir um 3×0 com meia hora de jogo. No final, 4×5 para os cariocas.

Soberba. Esse é o nome da praga que está enraizada no futebol brasileiro e que nos faz estagnar. Até os vizinhos sul-americanos apresentam equipes melhores treinadas do que aqui no “país do futebol”.

Foi assim, bastante soberbo, que o Felipão explicou o 1×7 na entrevista pós-jogo. Não foi mérito do adversário e nem erro dele mesmo. Foi “sorte”, algo de outro mundo.

Luxemburgo, desempregado há mais de quinhentos dias e que, a cada nova entrevista, parece que parou no tempo, demonstra a mesma atitude. Tudo que conhecemos atualmente no futebol foi graças a ele, nada do que acontece é novidade. Ele é o maior técnico que existe no planeta e está desempregado há tanto tempo… bem, talvez porque está “dando mole” em seus últimos trabalhos.

Por isso Fernando Diniz, Sampaoli e outros técnicos que tentam novas maneiras de jogar aqui no Brasil têm tanta dificuldade e gente torcendo contra. A zona de conforto e a soberba falam mais alto.