Língua Presa · Não Ao Futebol Moderno

Não Ao Futebol Moderno #19: São Everson

Jogos como Atlético-MG x Boca Juniors ontem são os que fazem do futebol o esporte mais apaixonante do planeta.

Na metade do segundo tempo, Everson era o candidato a vilão da eliminação alvinegra, e após o final dos pênaltis, ele é o grande herói da classificação.

Pegou duas cobranças, contou com a sorte em outra e ainda mandou no ângulo a cobrança definitiva, que decretou o fim do mundo argentino.

Já revi o lance umas cem vezes e meus olhos enchem d’água toda vez. É a redenção que nem os melhores escritores poderiam prever.

Que a benção de São Victor do Horto caia sobre Everson, e que daqui uns meses ele também possa ser canonizado.

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Não Ao Futebol Moderno #18: Esse Lisca tá de Brincadeira

Parece que o sucesso e as aparições em programas de TV fizeram o Lisca começar a se achar um pouco além do normal. Agora sempre que o América perde, a culpa não é da incompetência do time, e sim de fatores externos. E com a ajudinha da imprensa, muita gente cai nessas balelas.

Ninguém falou da arbitragem tendenciosa do juiz, que amarelou cinco jogadores do Galo em lances, no mínimo, discutíveis, além do pênalti inexistente que ele marcou. Sorte nossa que o Rodolfo mandou no travessão e perdeu a ÚNICA chance de gol que o América teve.

Sim, ÚNICA! Porque nos dois jogos da final, os lances de real perigo foram todos do Atlético. Ontem mesmo o Cavichioli fez duas defesas muito difíceis, dessas que mesmo assistindo, é difícil acreditar.

Então seria bom o Lisca baixar um pouco a bola dele, começar a ver os próprios defeitos da sua equipe e parar de inventar desculpas toda vez que forem incompetentes.

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Não Ao Futebol Moderno #14: Choque Térmico

Durante o dia, jogos frios, sonolentos e irritantes, daqueles que até os narradores não conseguem disfarçar o tédio. À noite, no último jogo da rodada, duas equipes querendo jogar futebol, com marcação alta e ataque o tempo todo, onde uma delas é predominante.

Assistir o Galo passar o trator por cima do Vasco e, em seguida, lembrar dos jogos do Palmeiras, Corinthians e afins, é como levar um choque térmico. E fica difícil recuperar depois.

Sampaoli faz um mal necessário ao futebol brasileiro, mas os “jênios” daqui insistem em esbravejar que somos o país do futebol e não precisamos inovar em nada. Há quem ousa menosprezar seus feitos, que vêm desde a última temporada. Vai entender.

Enfim, pela milésima vez, 1×7 foi pouco, mas muito pouco.

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Não Ao Futebol Moderno #13: Grande Otero e a Imprensa

Tá quase fechado o negócio entre o Galo e o Corinthians envolvendo o meio-campista venezuelano Otero, que ficou sem espaço no clube mineiro após a chegada do Sampaoli.

A imprensa está a todo vapor com tal transação, com muitos jornalistas afirmando como o Corinthians está fazendo um excelente negócio e que o Otero vai chegar pra ser titular. Calma, pessoal, ele não é tudo isso.

Eu sou atleticano e vejo os jogos, e afirmo: Otero não é tudo isso que aparece nos highlights. Nem de longe.

Ele bate falta bem? Sim, demais, é um exímio cobrador, mas são dez cobranças para um gol, praticamente. Mais nada. Não dribla, não cria uma jogada. Ele tem raça, vontade, corre demais durante o jogo, mas não é o suficiente para esse endeusamento todo.

Para mim, as opiniões desses “especialistas” só provam o quanto esses caras são mal informados e se baseiam em vídeos de “melhores momentos” para justificar seus argumentos.

Deixa o Otero chegar lá e vocês verão. A corneta vai soar sem parar nas primeiras partidas em que o encanto desaparecer.

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Não Ao Futebol Moderno #11: Garrincha no Vox Populi

Considero-me um cara ainda jovem, com vinte e sete anos recém completados. Comecei a acompanhar futebol para valer, com lembranças, torcida e tudo mais, em 2006, ano em que o Atlético Mineiro disputou a Série B. O que era para ser motivo de vergonha para muitos, foi a comprovação de uma lealdade e a firmação daquilo que acredito ser atleticano. E tenho certeza que muitos sentem o mesmo.

De 2006 pra cá, vi times encantadores. Vi o Barcelona de 2009, que ganhou TUDO que disputou, a Espanha bi-campeã européia e campeã mundial, o Galo de 13/14, enfim, são alguns exemplos. Tiveram muitos outros, claro. Sem falar no privilégio em presenciar o auge de dois dos maiores jogadores de todos os tempos, Messi e Cristiano Ronaldo.

Apesar de ser novo, minha alma pertence a épocas passadas. Tenho uma paixão inexplicável pelas décadas que não vivi, principalmente quando o assunto é futebol. Entro em devaneios quando imagino aquele futebol cascudo, truncado, times tão bem falados ainda nos dias atuais, como o Flamengo do Zico, o Atlético de Reinaldo, a Seleção Brasileira de 1970, Santos e Botafogo dos anos sessenta, e por aí vai. E um dos meus personagens favoritos desse tempo é o Garrincha, pelas jogadas inovadoras para a época. Os cortes secos, muitas vezes repetitivos, mas que os marcadores sempre caíam. E claro, sua estrela em duas Copas do Mundo.

Vi há poucos dias uma entrevista do Mané no programa Vox Populi, na TV Cultura, de 1978, salvo engano. A qualidade é de um nível que não se vê em entrevistas de jogadores nos dias atuais. Garrincha responde questionamentos variados, que vão de sua carreira a assuntos mais delicados, como situação financeira, vícios e separações. E o melhor de tudo, com exceção de uma ou outra pergunta que ele rodeia, o cara não nega a chance de resposta.

Pegue qualquer jogador brasileiro de hoje e imagine uma entrevista com ele. Os assuntos provavelmente seriam bens materiais, mulheres, idiotices de rede social e só ladeira abaixo. E as respostas? Bem, se houvesse alguma, todas passariam pelo exame do assessor antes. Uma lástima. Chega a dar tristeza perceber como nosso nível caiu tanto, dentro e fora do campo.

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Não Ao Futebol Moderno #08: Toda Arrogância Foi Castigada

“Não podemos abrir mão da Copa do Brasil se olharmos o passado do Internacional na competição.” – Celso Roth, após derrota para o Galo por 3×1.

O problema do futebol é viver de glórias do passado e pensar que elas podem salvar o presente.

Não coloquei data, mas sei que fiz essa anotação em 2015 ou 2016, pouco tempo antes do Inter cair para a Série B. Anos mais tarde, novamente a profecia se concretizou: foi a vez do Cruzeiro também ir para a segundona.

Comemorei demais, afinal, para quem não é de Minas Gerais, vos explico: não há torcida mais folgada. É um salto alto interminável, postura arrogante de jogadores e dirigentes e um pensamento de superioridade que beira o nojo.

Segunda Divisão é pouco. Que fiquem por muitos anos lá, fazendo companhia para o América.

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Não Ao Futebol Moderno #07: Já Fomos Rebaixados

Triste acontecimento no Mineirão ontem.

Se não bastasse a terrível partida que Atlético e cruzeiro protagonizaram no campo, um imbecil da torcida atleticana insultou um dos seguranças do estádio com termos racistas. O pior de tudo é que no Brasil sil sil da impunidade, nada acontecerá à esse idiota.

Esse é o país em que vivemos hoje. Ninguém liga mais para porra nenhuma. Disparam as metralhadores de xingamentos (quando não são as de balas mesmo) e não estão nem aí para o próximo. E o mais nojento de tudo é que esses são que se auto-intitulam “cidadãos de bem”.

Se há cinco/seis anos, a dupla mineira podia se vangloriar de dominar o cenário nacional e internacional do futebol local, hoje, à duras penas, se esforçam para não caírem para a segunda divisão.

Porém, no quesito humanidade, o Brasil caiu há tempos.

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Não Ao Futebol Moderno #06: Exorcismo

Tá exorcizado! Expurgado! Excomungado! Expulso!

Não importa o verbo, a sensação de ALÍVIO que o torcedor atleticano está sentindo hoje é imensurável. Eliminamos o Botafogo na Sul-Americana com DUAS VITÓRIAS!

O contexto para explicar tamanha alegria:

Há 25 anos um terror chamado Botafogo assombra as nossas cabeças em competições de mata-mata. Seja na Copa do Brasil, Sul-Americana ou qualquer outro torneio, sempre o time carioca passava com autoridade. Algumas vezes, de forma até humilhante, como aquele desastroso 2×5 em pleno Mineirão na temporada de 2008. Tenho pesadelos com aquele jogo até hoje.

Porém, isso é passado. Ontem espantamos essa nhaca do nosso caminho com uma vitória por 2×0 no Independência, gols de Fábio Santos e Vinícius. O próximo adversário será o La Equidad, da Colômbia.

Um adendo: não se enganem, Galos Doidos. O time tá jogando muito mal, com dificuldades para marcar gols e alguns jogadores passando por uma fase terrível. Vamos torcer para que o técnico Rodrigo Santana acerte ainda mais a equipe e que, ao final do ano, possamos levantar essa taça para salvar a temporada.

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Não Ao Futebol Moderno #05: A Perna Esquerda de São Victor

Era noite de 30 de maio de 2013, uma quinta-feira, mais precisamente aos 48′ do segundo tempo de uma partida de quartas-de-final da Copa Libertadores da América, quando Victor eternizou a sua passagem pelo Atlético-MG. Riascos foi despretensioso e parou na perna esquerda do arqueiro atleticano. Daquele momento em diante, o Galo só sossegou ao erguer a taça no Mineirão. Daquela quinta em diante, Victor virou santo.

Hoje, quase seis anos depois, o panorama pode até ser diferente, mas a situação é parecida. O dia é 28 de maio, também à noite, numa terça-feira. A competição é de “segundo escalão”, segundo o preside(a)nte(a) do clube, mas não para o torcedor. É um troféu que ainda não consta na galeria. A Sul-Americana. Cairia como uma luva para salvar esse ano desastroso do time

Com uma exibição fraquíssima da equipe, o garoto Alerrandro entra para evitar a vergonha de ser eliminado em casa durante os noventa minutos pelo modesto Unión La Calera, do Chile. Com 1×1 no agregado, tudo será decidido nos pênaltis. E disso, São Victor entende muito bem. E fez valer a sua alcunha santificada.

O goleiro alvinegro pegou todos os três pênaltis do time chileno. O segundo, por incrível semelhança, foi cobrado no meio do gol e São Victor defendeu com a perna esquerda. Na última vez que ele fez algo do tipo em uma competição continental, a taça veio para a Cidade do Galo, como disse no primeiro parágrafo.

Espero que tal fato vá além de uma mera coincidência, e que São Victor tenha o prazer de levantar mais um troféu com essa camisa tão gloriosa.

 

 

 

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Não Ao Futebol Moderno #03: José Maria Pena

Foi com pesar que li sobre o falecimento do grande José Maria Pena, figura que está na história dos dois alvinegros que torço: o Galo e a Pantera.

Como jogador, foi revelado nas categorias de base do Atlético-MG e jogou na equipe de 1968 a 1973, fazendo parte do time campeão nacional em 1971.

Como técnico, destaco sua passagem pelo Democrata-GV em 2007, naquele que considero o último grande time da Pantera, semifinalista do Campeonato Mineiro e campeão do interior. Como torcedor do “Demo”, é triste lembrar da grande equipe liderada por Vilar, Amilton e Leandro Carrijo e comparar com a atual situação do clube.

Zé Maria também foi o técnico do Democrata em sua melhor campanha até hoje, quando foi vice-campeão de Minas Gerais em 1991, porém, eu ainda não era nascido.

Fica aqui a minha singela homenagem a esse personagem fundamental de momentos gloriosos que, tenho certeza, não serão apagados das mentes dos torcedores.

CAM1971Foto: https://www.futebolinterior.com.br/