Garimpo · Língua Presa · Música

“Aí Mata Nois, Hein?”

Assim respondeu meu amigo Leonardo, após eu mandar para ele “Here To Go”, minha música favorita do Idaho.

O Idaho foi fundado em 1992 e continua na ativa até hoje. Inclusive, mandei uma mensagem para Jeff Martin, co-fundador, no Instagram ano passado, parabenizando-o pela longevidade do projeto, mesmo à margem da grande mídia, e como isso era uma inspiração para mim.

Escrevi um pouco sobre a história do Idaho aqui.

Ouça “Here To Go”:

Direto do Forno · Música

Courtney Barnett – Rae Street (Single)

É provável que todos os sites sobre música e cultura pop do planeta já tenham falado sobre o novo single da Courtney Barnett, “Rae Street”. E como ando quase sempre na contramão, mesmo já fora de tempo, também coloco aqui a informação, pois quase tudo que essa mulher inventa é agradável aos ouvidos.

“Rae Street” tem um refrão que gruda na mente: “time is money and money is no man’s friend.” Não poderia concordar mais. Além, claro, do instrumental certinho e a voz preguiçosa e aconchegante de Courtney.

Em novembro sai o próximo disco dela, Things Take Time, Take Time. Há quem diga que ela é “o novo Dylan”, o que eu acho um exagero. Mas é inegável que Courtney é uma das artistas mais criativas dos últimos anos, vide o disco que ela fez com o Kurt Vile. Uma maravilha do indie moderno.

Direto do Forno · Música

FEELS – Night Walker (Single)

Já faz dois anos e meio que Post Earth, o último álbum do FEELS, saiu do forno. E para quebrar esse vazio de lançamentos, a banda prepara um novo EP, Subversive Reaction, para a próxima semana.

O FEELS faz um som sem muita firula, aquele rock sujo e agitado bem gostoso de ouvir, muito inspirado na cena noventista. “Night Walker” é o primeiro single desse próximo disco e não foge muito disso.

Uma banda interessante para se conhecer e acompanhar.

Direto do Forno · Música

O Novo do Dinosaur Jr.: Sweep It Into Space

Desde que voltou à formação original, o Dinosaur Jr. lançou cinco discos, contando com Sweep It Into Space, e de longe, esse é o que mais me empolgou. Mesmo assim, não espere por algo grandioso, pois há décadas a banda mantem a mesma fórmula e não precisa mais mudar.

Poucos guitarristas sabem criar linhas melódicas tão sutis com solos furiosos acompanhando ao mesmo tempo como J Mascis. O single “I Ran Away”, por exemplo, é candidato a entrar no hall das favoritas dos ouvintes, como “Feel The Pain” ou “Freak Scene”, dadas as devidas proporções. “I Met The Stones” e “Garden” também elevam o álbum às alturas, mas ele sofre de um mesmo problema dos anteriores: ele perde o fôlego da metade em diante.

Assim como a galera do Guided By Voices, J Mascis, Lou Barlow e Murph chegaram ao ponto de fazer música por prazer, de lançar discos sem muita pretensão, sem precisar provar mais nada à ninguém. E esse é o estágio que todo artista pretende atingir.

Sweep It Into Space é divertido, bom para passar o tempo, não muito além disso. Ele foi lançado pela Jagjaguwar em 23 de abril.

1. I Ain’t
2. I Met The Stones

3. To Be Waiting
4. I Ran Away
5. Garden
6. Hide Another Round
7. And Me
8. I Expect It Always
9. Take It Back
10. N Say
11. Walking To You
12. You Wonder

Garimpo · Língua Presa · Música · Quarta Parede

Wilco – How to Fight Loneliness (Ao Vivo no Late Night with Conan O’Brien, 1999)

Em 1999, o Wilco lançou um de seus melhores discos, o Summerteeth. Para divulgá-lo, como de praxe, a banda rodou por alguns programas de TV e claro, passou pelos talk shows mais famosos da época.

No mesmo dia que eles foram ao Late Night with Conan O’Brien, a convidada da noite era ninguém menos que Winona Ryder, mas isso não foi apenas coincidência. A atriz protagonizou o drama Garota, Interrompida e a canção “How To Fight Loneliness” faz parte da trilha sonora do filme. Muito gentil com os caras, foi Winona quem deu as boas-vindas a Jeff Tweedy e cia, com direito a um grande elogio:

“Uma das melhores e mais importantes bandas do século e minha banda favorita.”

Depois dessa, eles não precisavam de mais nada, né?

Direto do Forno · Música

Cub Scout Bowling Pins – Magic Taxi (Single)

Não dá para explicar o Robert Pollard. O último disco do Guided By Voices, Earth Man Blues, saiu não tem nem duas semanas e o cara já anunciou mais um trabalho com o Cub Scout Bowling Pins, um de seus vários projetos paralelos. Isso porque nesse ano ele já lançou um disco com o próprio Cub Scout Bowling Pins e não sei mais quantos com o Guided By Voices. Fico perdido e tonto só de começar a procurar.

Enfim, é isso. Nem tem muito o que dizer. Para os fãs do cara, que nem eu, é um prato cheio e um prazer em viver na mesma época que esse senhor.

Clang Clang Ho chega por completo em 4 de julho, dia da independência dos EUA. Confira “Magic Taxi”.

Garimpo · Música

Garimpo: The Jesus and Mary Chain & Hope Sandoval – Sometimes Always (Ao Vivo Na MTV, 1994)

É sempre bom quando uma banda ou artista coloca alguma entrevista, apresentação, videoclipe ou qualquer outro tipo de material em seu canal registrado do Youtube, pois dá um ar de oficial àquele material.

Em 1994, o The Jesus and Mary Chain lançou o disco Stoned and Dethroned e Hope Sandoval, do Mazzy Star, colabora na canção “Sometimes Always”. No mesmo ano, eles se juntaram no palco para uma performance na MTV.

Ano passado, o parceiro de Hope no Mazzy Star, David Robeck, faleceu de câncer, e como forma de homenageá-lo, o The Jesus and Mary Chain disponibilizou o vídeo da performance citada acima.

Hope Sandoval e os irmãos Reid são a prova de que a apatia/timidez em cima de um palco também rendem ótimas apresentações.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Gary Lee Conner

Apesar de não ter estourado como várias outras bandas nos anos noventa, o Screaming Trees goza de certo prestígio entre os amantes da música. Pesquisando em fóruns e áreas de comentários, há quem diga que os caras estavam entre as melhores bandas da época. Eu concordo.

Só que boa parte da “fama” deles vai somente para Mark Lanegan e sua voz inconfundível. Porém, ao ouvir os trabalhos solo do “desconhecido” ex-guitarrista e letrista da banda, Gary Lee Conner, fica nítido, ao menos para mim, que ele era a principal força criativa por trás do som do conjunto.

Somente em 2020, Gary Lee Conner lançou dois discos: Revelations In Fuzz e The Opposite of Christimas. Além disso, ele posta vídeos gravados em seu quarto altamente psicodélico, tocando canções de quase todos os discos do Screaming Trees.

E psicodelia é a palavra-chave para definir o som do cara, afinal, suas maiores referências são o rock’n’roll movido a ácido lá dos anos sessenta. Mas o mais interessante é que as canções, de certa forma, lembram sua antiga banda. Se colocasse o Mark Lanegan para cantar suas músicas solo, daria para soltá-las como Screaming Trees e dificilmente alguém notaria a diferença.

Tire a prova por si mesmo e deixe-se adentrar nesse universo viajante.

Garimpo · Língua Presa · Música

Quatro Músicas do R.E.M.

Hoje meu dia inteiro foi regado à R.E.M. Ouvi em sequência quatros discos da banda, e minha admiração por eles só aumentou. Foram eles: Out of Time (1991), Document (1987), Monster (1994) e Automatic For The People (1992).

Já conhecia os álbuns em questão, mas a cada audição, uma música ganha atenção a mais, outra é sentida de outra forma, mais uma vira favorita, e assim vai.

Escolhi uma de cada um deles, claro, fugindo das óbvias mais conhecidas. Mas é bom registrar que mesmo as canções clichês do R.E.M. são espetaculares.

Direto do Forno · Música

Dinosaur Jr. – I Ran Away (Single)

Parece que os “vovôs” J. Mascis, Lou Barlow e Murph, a tríade clássica do Dinosaur Jr., ainda têm muitas ideias para queimar e transformar em música. Vem aí Sweep It Into Space, o décimo-segundo álbum de estúdio da banda, que ganhará forma em 23 de abril desse ano, via Jagjaguwar.

São mais de trinta anos de carreira mantendo a mesma fórmula, e ainda assim o Dinosaur Jr. não fica chato ou enjoativo. O single “I Ran Away” está aí como prova. Uma divertida canção pop, onde os instrumentos estão todos alinhados e sem excessos, e ao final J. Mascis manda um solo um pouco mais barulhento, mas nada explosivo como os anos áureos da banda.

Chega a ser repetitivo, mas como é bom ver bandas assim ainda na ativa, criando músicas novas por amor.