Garimpo · Língua Presa · Música

Redescobrindo o Suede

Meu primeiro contato com o Suede foi numa apresentação dos caras no programa do Jools Holland, em 1994, época do então recém-lançado Dog Man Star. Isso tem muitos anos, como também fazia muitos anos que eu não ouvia a banda de novo. Sem motivo algum, havia criado em minha cabeça uma espécie de bloqueio em relação ao Suede.

Bom, nas últimas semanas, estava navegando internet afora e deparei-me com uma postagem do Scream & Yell sobre a banda. Aquele post despertou uma curiosidade em redescobrir o Suede para, enfim, ter uma opinião bem formada em relação ao grupo. O resultado dessa redescoberta é que já faz umas duas semanas (ou mais) que o disco que inicia meus dias é o Dog Man Star.

Melancólico, o álbum possui doze canções ao todo e NENHUMA É DISPENSÁVEL. A hipnótica “Introducing The Band”, quase um mantra, é o abre-alas para um conjunto de músicas cujas referências abrangem o glam rock feito pelo David Bowie no início dos anos setenta, como “The Power” e “New Generation”, odes à ícones do cinema, como “Heroine” (Marilyn Monroe) e “Daddy’s Speeding” (James Dean), baladas bastante emotivas, vide “The 2 of Us” e “Black Or Blue” e até música clássica, no desfecho em “Still Life”.

“We Are The Pigs” e “The Wild Ones” foram os principais singles do disco e são suas melhores canções, flertando o rock’n’roll com um forte apelo pop. “The Asphalt World” é a mais experimental, com pouco mais de nove minutos de duração. Ela vem em sequência das duas baladas e possui uma longa passagem instrumental, quase que lisérgica, renovando o tom do disco às alturas até a última canção.

A banda em si é muito afiada, as linhas de guitarra são algo que se o ouvinte escutar com atenção, verá que são muito acima da média, mas o que me pegou em cheio foi a voz do Brett Anderson e sua figura elegante, bem vestida, como se ele estivesse acima de tudo o que está acontecendo durante as músicas.

A versão de luxo de Dog Man Star possui algumas demos e canções extras e também vale a pena dar uma conferida.

É um disco para dar play e colocar no repeat, pois a cada audição, detalhes e mais detalhes antes despercebidos começam a ficar claros e só engrandecem ainda mais a produção. Como disse acima, faz semanas que ele abre minhas audições diárias e, sem exageros, ele é capaz de tornar os dias um pouco menos pesados. Afinal, essa é uma das maiores belezas da música, não?

Garimpo · Música

Garimpo: Nirvana – Drain You (Ao Vivo Numa TV Francesa, 1994)

A insônia tem marcado presença em boa parte de minhas noites nessa “quarentena” (aqui o vírus AINDA não chegou), e para quem conseguiu se atrasar para o trabalho até em home office, acordar cedo por três dias seguidos é um feito a ser comemorado. Tive tempo até de fazer meu café e degustá-lo sem pressa.

Na última noite, deixei uma playlist engatilhada no computador. Pensei: assim que levantar, ligo o PC e coloco essas músicas para tocar, me ajudarão a tirar a preguiça. Foi dito e feito.

Boa parte dessa playlist (que, nesse momento, ainda está sendo executada) é formada por músicas do Nirvana. Sem alguma dúvida, Nirvana foi a banda que mais ouvi na minha adolescência, e sempre que posso, revisito minhas canções favoritas.

A minha favorita de todas é o tema do texto. Essa versão de “Drain You”, tocada em uma TV na França meses antes do suicídio do Kurt, já é bem conhecida e considerada por muita gente, e por mim, inclusive, como a sua melhor. E ela tem uma história curiosa: no final, a guitarra do Cobain estraga, e ele, puto da vida, a arremessa no chão. Com mais raiva ainda, ele solta o famoso grito, que na versão de estúdio é arrepiante, mas que ao vivo ele quase nunca fazia.

Veja como é curioso sua postura ao cantar sem sua guitarra. No mínimo, estranho. E Dave Grohl, claro, mais uma vez destruindo na bateria.