Garimpo · Língua Presa · Música

“Aí Mata Nois, Hein?”

Assim respondeu meu amigo Leonardo, após eu mandar para ele “Here To Go”, minha música favorita do Idaho.

O Idaho foi fundado em 1992 e continua na ativa até hoje. Inclusive, mandei uma mensagem para Jeff Martin, co-fundador, no Instagram ano passado, parabenizando-o pela longevidade do projeto, mesmo à margem da grande mídia, e como isso era uma inspiração para mim.

Escrevi um pouco sobre a história do Idaho aqui.

Ouça “Here To Go”:

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Mundo Livre S/A + Malu Mader

“Musa da Ilha Grande” é um clássico da música brasileira. A mistura perfeita entre samba e rock’n’roll, marca registrada do Mundo Livre S/A.

Lendo curiosidades sobre o Samba Esquema Noise (1994), disco em que a música faz parte, descobri que houveram várias participações em sua criação, principalmente do pessoal dos Titãs, já que foi o selo deles que distribuiu o álbum.

Uma dessas participações é da atriz Malu Mader, global que fez muito sucesso nos anos noventa e início dos anos 2000, justo em “Musa da Ilha Grande”. Ela fez backing vocals que aparecem no finalzinho da música:

“Não saio nãããão”;
Não saio, não saio, não saio”;
“Quero saber se eu saio”.

Samba Esquema Noise é meu álbum brasileiro favorito, muito rico em estilos, detalhes e com letras afiadas, com um humor refinado e críticas sociais que continuam tão atuais quanto o ano de seu lançamento.

O melhor de tudo é que o Mundo Livre S/A continua na ativa e o próximo trabalho da banda será lançado ainda esse ano.

Diversos · Garimpo · Língua Presa · Música

Fly Anakin e o Streaming

Há alguns dias, o rapper Fly Anakin tomou a decisão de retirar boa parte do seu material das plataformas de streaming e deixá-las somente no Bandcamp. Sua alegação foi a mesma de tantos outros artistas: o pagamento dessas empresas aos cantores e bandas é pífio, se comparado ao que elas recebem.

Tal atitude demonstra muita coragem por parte dele, enfrentando um sistema que cada vez mais toma conta do mercado, direcionando os ouvintes a terem acesso mais fácil ao que o “algoritmo” oferece, ou seja, ao que está na moda ou a quem paga mais para ser divulgado.

Mesmo que seja um golpe quase imperceptível nesse monstro gigante, a atitude de Fly Anakin é louvável. Deixo abaixo o lançamento mais recente do cara, Pixote, EP lançado na última sexta-feira.

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Garimpo: Nação Zumbi + The Fall

Faz alguns dias que estou desbravando a discografia de algumas bandas e artistas, focando mais naqueles que têm vários discos lançados, como David Bowie, The Cure, The Fall, e por aí vai. E foi justo com um disco do The Fall que me veio essa grata surpresa.

Estava ouvindo o The Infotainment Scan, disco deles de 1993, quando veio o seguinte verso:

“Exploding trees at night
Over rivers and bridges”

Na hora me liguei. Já havia escutado isso antes, mas em outra música… Claro! “Rios, Pontes e Overdrives”, da Nação Zumbi! Jamais imaginei que houvesse uma conexão entre o Manguebeat e o pós-punk inglês.

Isso só mostra o quanto Chico Science e a Nação estavam muito à frente de seu tempo.

Garimpo · Língua Presa · Música · Quarta Parede

Wilco – How to Fight Loneliness (Ao Vivo no Late Night with Conan O’Brien, 1999)

Em 1999, o Wilco lançou um de seus melhores discos, o Summerteeth. Para divulgá-lo, como de praxe, a banda rodou por alguns programas de TV e claro, passou pelos talk shows mais famosos da época.

No mesmo dia que eles foram ao Late Night with Conan O’Brien, a convidada da noite era ninguém menos que Winona Ryder, mas isso não foi apenas coincidência. A atriz protagonizou o drama Garota, Interrompida e a canção “How To Fight Loneliness” faz parte da trilha sonora do filme. Muito gentil com os caras, foi Winona quem deu as boas-vindas a Jeff Tweedy e cia, com direito a um grande elogio:

“Uma das melhores e mais importantes bandas do século e minha banda favorita.”

Depois dessa, eles não precisavam de mais nada, né?

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Garimpo: The Jesus and Mary Chain & Hope Sandoval – Sometimes Always (Ao Vivo Na MTV, 1994)

É sempre bom quando uma banda ou artista coloca alguma entrevista, apresentação, videoclipe ou qualquer outro tipo de material em seu canal registrado do Youtube, pois dá um ar de oficial àquele material.

Em 1994, o The Jesus and Mary Chain lançou o disco Stoned and Dethroned e Hope Sandoval, do Mazzy Star, colabora na canção “Sometimes Always”. No mesmo ano, eles se juntaram no palco para uma performance na MTV.

Ano passado, o parceiro de Hope no Mazzy Star, David Robeck, faleceu de câncer, e como forma de homenageá-lo, o The Jesus and Mary Chain disponibilizou o vídeo da performance citada acima.

Hope Sandoval e os irmãos Reid são a prova de que a apatia/timidez em cima de um palco também rendem ótimas apresentações.

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Garota de Ipanema às Avessas

Difícil lembrar desse vídeo e deixá-lo passar batido: Rogério Skylab apresentando sua clássica “Você É Feia” no Programa do Jô, há sabe-se lá quantos anos atrás.

Melhor ainda é o comentário mais curtido do vídeo, que resume bem a letra declamada por Skylab: “garota de Ipanema às avessas”. Aqui vai um trecho:

“Quer um conselho?
Entra no banheiro,
Fecha bem a porta,
Tampa o basculante
E liga o gás!
É feia pra caralho!”

O trabalho do Rogério Skylab caminha no limite entre o cômico, o tosco e o genial. “Você É Feia” está na terceira categoria.

Direto do Forno · Garimpo · Música

Garimpo: Gary Lee Conner

Apesar de não ter estourado como várias outras bandas nos anos noventa, o Screaming Trees goza de certo prestígio entre os amantes da música. Pesquisando em fóruns e áreas de comentários, há quem diga que os caras estavam entre as melhores bandas da época. Eu concordo.

Só que boa parte da “fama” deles vai somente para Mark Lanegan e sua voz inconfundível. Porém, ao ouvir os trabalhos solo do “desconhecido” ex-guitarrista e letrista da banda, Gary Lee Conner, fica nítido, ao menos para mim, que ele era a principal força criativa por trás do som do conjunto.

Somente em 2020, Gary Lee Conner lançou dois discos: Revelations In Fuzz e The Opposite of Christimas. Além disso, ele posta vídeos gravados em seu quarto altamente psicodélico, tocando canções de quase todos os discos do Screaming Trees.

E psicodelia é a palavra-chave para definir o som do cara, afinal, suas maiores referências são o rock’n’roll movido a ácido lá dos anos sessenta. Mas o mais interessante é que as canções, de certa forma, lembram sua antiga banda. Se colocasse o Mark Lanegan para cantar suas músicas solo, daria para soltá-las como Screaming Trees e dificilmente alguém notaria a diferença.

Tire a prova por si mesmo e deixe-se adentrar nesse universo viajante.

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Quatro Músicas do R.E.M.

Hoje meu dia inteiro foi regado à R.E.M. Ouvi em sequência quatros discos da banda, e minha admiração por eles só aumentou. Foram eles: Out of Time (1991), Document (1987), Monster (1994) e Automatic For The People (1992).

Já conhecia os álbuns em questão, mas a cada audição, uma música ganha atenção a mais, outra é sentida de outra forma, mais uma vira favorita, e assim vai.

Escolhi uma de cada um deles, claro, fugindo das óbvias mais conhecidas. Mas é bom registrar que mesmo as canções clichês do R.E.M. são espetaculares.

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Garimpo: Mystic Eyes

Foi relançado pela Get Hip Recordings o compacto Little Girl/She’s Gone, da enigmática banda Mystic Eyes, lançado pela primeira vez em 1997. Não achei praticamente nada sobre o conjunto na internet, mas, ao menos, podemos ouvir o que eles deixaram registrado.

O compacto é formado por dois covers de clássicos do rock de garagem sessentista: o primeiro é “Little Girl”, canção do grupo californiano Syndicate of Sound, lançada em 1966. A segunda, “She’s Gone”, é original do The Dovers, de 1965.

As versões do Mystic Eyes não mudam nada em relação às originais, mas vale ouvir a título de curiosidade. Para amantes dos primórdios do rock’n’roll, é um deleite.